09 de julho de 2026
Saúde

Transpiração excessiva: hiperidrose atinge 1% da população e tem cura

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Mãos constantemente molhadas e frias, manchas enormes de suor nas roupas, pés frios e escorregadios são os sintomas mais comuns da hiperidrose - um distúrbio de causa desconhecida que faz algumas pessoas transpirarem em excesso. Estima-se que a doença atinja cerca de 1% da população mundial. Só em Bauru seriam mais de 3 mil homens e mulheres, em igual proporção.

Durante muito tempo, estes pacientes foram tratados como ansiosos e nervosos, pois a transpiração exagerada também é desencadeada por fatores estressantes. A diferença é que, no hiperidrótico, o suor não passa quando cessa o estresse. Muitas vezes, ele é o próprio fator estressante.

O incômodo é tão grande, que basta a pessoa pensar que pode começar a suar para seu organismo dar a ordem. “Só de pensar que eu tenho prova, que vou transpirar e isso vai molhar e borrar tudo, eu já começava a suar. Bastava sair de casa”, comenta Brenda Yara Santana de Oliveira, 16 anos.

A pessoa que sofre de hiperidrose é aquela que está parada e, apesar da temperatura amena, transpira em “bicas”. O suor escorre pelo corpo manchando toda a roupa, as mãos pingam, o rosto fica completamente molhado e os pés encharcam. E nada do que ela faça pode cessar a transpiração.

Para piorar a situação, a região do corpo mais afetada são as mãos. O hiperidrótico se desespera quando alguém lhe estende a mão. Ele procura enxugar o suor nas roupas antes de retribuir o cumprimento, mas seu constrangimento é evidente.

Para as crianças, a hiperidrose torna-se um sério problema de alfabetização, pois o suor das mãos molha o papel, borrando cópias, desenhos e provas.

Na adolescência, o conflito atinge os relacionamentos. É um jovem que permanece isolado do seu grupo porque teme ser “descoberto” e tornar-se alvo de piadinhas e fuxicos. Ele se sente excluído, porque não pode usar as roupas coloridas da moda - só o branco e o preto disfarçam seu suor contínuo.

Pior para as meninas, que têm que fugir das sandálias e saltos altos, porque os pés escorregam de tão molhados. Faça frio ou calor, seus calçados são sempre fechados e com meias de algodão.

Também não podem usar maquiagem, porque o suor escorre pelo rosto. Isso sem contar o paquera, que segura a mão da garota e “adivinha” logo que ela está nervosa.

Todo esse constrangimento pode levar a pessoa a manifestar outros problemas de saúde, como a fobia social - uma doença psiquiátrica caracterizada pelo pavor da convivência.

Segundo os médicos, pessoas que sofrem de hiperidrose costumam passar a vida toda em busca de um tratamento que cure ou pelo menos amenize a transpiração. O primeiro recurso é o dermatologista, que prescreve fórmulas e nada resolve. Depois opta-se pelo endocrinologista, que também nada encontra.

Então, tenta-se o psicólogo ou o psiquiatra, que usam terapias e medicamentos ansiolíticos ou calmantes. Em alguns casos eles até ajudam, mas não eliminam o problema.

Mas existe uma cirurgia, conhecida desde 1926, que pode curar este distúrbio. É a simpatectomia, que corta gânglios e nervos da região torácica do indivíduo. A cirurgia permaneceu esquecida por várias décadas, pois era uma técnica muito arriscada.

Em 1992, porém, quando surgiram os procedimentos por videocirurgia, em que minicâmeras são introduzidas no organismo e permitem que o médico veja perfeitamente onde está operando, a simpatectomia voltou a ser estudada.

De lá para cá, descobriu-se uma nova técnica que permite chegar aos nervos que ordenam a transpiração com apenas quatro incisões de aproximadamente um centímetro cada. O paciente é internado num dia e recebe alta no outro. Quando acorda da anestesia, já está com as mãos secas e quentes.

O procedimento está sendo realizado por médicos de Bauru há cerca de seis meses e pacientes operados dizem ter nascido de novo após a cirurgia.