10 de julho de 2026
Bairros

População reaproveita tijolo, azulejo, plástico e madeira

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O bolsão de entulho da Pousada da Esperança 2 é uma fonte de renda para cerca de 20 pessoas, que garimpam o material despejado pelas caçambas em busca de tijolos, azulejos, pedaços de madeira, de ferro e outros materiais que possam ser reaproveitados.

Marildalva Aparecida Ferreira Rocha, que trabalha no local desde a criação do bolsão, há oito meses, conta que chegou a ganhar R$ 45,00 por dia com a venda de materiais. “Agora tem muita gente para pegar o que presta e tiro só R$ 7,00 ou R$ 8,00 por dia”, conta.

A disputa por materiais de maior valor é grande. Adultos, idosos e até crianças mal esperam o conteúdo da caçamba ser despejado no chão e já iniciam a retirar o que lhes interessam. “Tem gente que está construindo casa com tijolos daqui. Um rapaz de Pirajuí conseguiu catar 4.000 tijolos nesse bolsão”, conta Natalino David da Silva, presidente da Associação de Moradores da Pousada 1 e 2.

É possível recolher até 500 tijolos por dia, segundo uma mulher que não quis se identificar, encontrada pelo JC trabalhando no bolsão de entulho. “Eu estou pegando tijolo para o alicerce da casa que estou construindo na Pousada 2”, conta.

Segundo ela, há muitos tijolos inteiros no meio do entulho. â€œÉ um jeito de fazer economia”, explica. Já as amigas Therezinha Pereira Gomes e Zoraide da Silva, que moram respectivamente na Pousada 1 e na Pousada 2, vão ao bolsão de entulho esporadicamente.

Na semana passada, elas estavam procurando madeira entre os muitos montes de sobras da construção civil. “A gente cata material reciclável nas ruas. Viemos aqui procurar madeira para fazer carrinho”, diz Therezinha.

“Eu cato tijolos e alumínio para vender”, conta Tiago Aparecido de Souza, 10 anos, que ajuda a mãe e a irmã. Ele mora na Pousada e afirma que estuda pela manhã e passa às tardes no bolsão de entulho.