07 de julho de 2026
Geral

Aprendizes do Cips buscam trabalho

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Cento e oitenta e cinco aprendizes do Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips) de Bauru estão à espera de uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho. A quantidade de empresas que recebem os rapazes é pequena frente ao número de pretendentes.

São jovens que têm entre 14 e 17 anos e que já passaram por cursos e treinamentos em diversas áreas no Cips.

Atualmente, apenas 58 adolescentes treinados na instituição conseguiram vaga para trabalhar. A empresa que recebe os rapazes assina um contrato com o Cips, que registra os garotos.

“As empresas têm a vantagem de ter reduzida a contribuição ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 8% a 2%. Além disso, são meninos treinados e que vão com garra porque o sonho deles é trabalhar. São meninos que precisam”, expõe Leonice Amorim Jesus, assistente social do Cips.

“Os meninos têm todas as regalias que um profissional registrado tem. Ele sai daqui com certificado. Nós estamos tirando os meninos da marginalidade”, reforça Roberto Previdello, presidente da entidade.

Quando há oferta de trabalho para os garotos, o Cips seleciona os que mais destacam-se nos treinamentos.

“Não temos tanta oferta, principalmente para os meninos que estão no ensino fundamental e só podem trabalhar quatro horas. Estamos tendo mais oferta para os meninos de ensino médio, que podem trabalhar oito horas”, diz Leonice.

Aqueles que começam a trabalhar voltam uma vez por semana ao Cips para cumprir quatro horas de aulas teóricas em cursos de administração, informática, contabilidade e secretariado. Eles também participam de palestras sobre temas diversos.

Só são aceitos no programa rapazes que freqüentam aulas regularmente no ensino médio ou fundamental.

“O objetivo desse treinamento é o desenvolvimento pessoal, social e profissional, além de criar condições para a prática profissional apropriada para sua idade. Visa também desenvolver postura, habilidades, comunicação, identidade e cidadania”, destaca a assistente social.

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Legislação

O programa desenvolvido pelo Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips), que visa inserir no mercado de trabalho adolescentes que já passaram por treinamento e cursos de capacitação profissional, é respaldado pela lei federal 10.097, de 2000, e pela portaria 702, de 2001.

A lei estabelece que os aprendizes devem receber salário mínimo e que o contrato não deve ultrapassar dois anos.

“A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e freqüência do aprendiz à escola, caso não haja concluído o ensino fundamental, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada (...)”, estabelece o parágrafo 1 do artigo 248.

Um dos alunos do Cips que conseguiu atender aos requisitos necessários e está trabalhando há dois meses é Wesley Murilo dos Santos, 16 anos. Ele trabalha com montagem de fivelas em uma empresa local.

“Nós fazemos o serviço que as outras pessoas estão fazendo. É um custo mais baixo para a empresa e ajudar a tirar os menores da rua”, diz o aprendiz.

Ele entrou no Cips em 2001 e já fez três cursos de informática. “Eu precisava de um lugar em que eu pudesse aprender e ocupar meu tempo. Se ficamos em casa sem nada para fazer vamos sempre para a rua”, expõe Wesley, que pretende terminar o ensino médio e fazer faculdade de administração.