11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Luz no fim do túnel; um diálogo necessário


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Reportamo-nos à carta publicada em 03/11/2002, do senhor Arnaldo Corrêa de Oliveira, na qual o mesmo discorre sobre o prédio da Estação Ferroviária. Para quem não conhece a situação atual das ferrovias, o número de 78 empregados da ativa que participaram da assembléia pode parecer insignificante. Entretanto, representa cerca de 70% dos ferroviários que hoje estão empregados na cidade de Bauru. Atualmente, a Ferrovia Novoeste possui 551 empregados em toda sua malha, que vai de Bauru a Corumbá, Campo Grande a Ponta Porá, resultado das demissões ocorridas no setor após a privatização.

O que os ferroviários estão discutindo em assembléias, é se aceitam ou não, a forma de pagamento de passivo trabalhista, que está diretamente vinculado ao modelo de transação que foi acordado em reunião realizada na sede da RFFSA, Rio de Janeiro, da qual participaram o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, a Câmara Municipal de Bauru e a Prefeitura, e não venda de imóvel pois, quem pode dispor de bens é o proprietário, que no caso não é o Sindicato, os ferroviários e nenhum de seus diretores.

Não é segredo para ninguém que a privatização das ferrovias (RFFSA e FEPASA) - saudada por muitos em Bauru que embarcaram no trem das políticas neoliberais e modernizadoras de FHC - representou a fragmentação, sucateamento e desordenamento do setor, existindo há muito tempo todas as condições legais para que seja decretada a caducidade dos contratos de concessão, medida proposta também pelo Tribunal de Contas da União que acatou denuncias de irregularidades apresentadas por esta entidade em 1998, na medida em que a iniciativa privada demonstra ser incapaz de atuar no setor e cumprir as metas estabelecidas em contrato, estando todas em situação pré-falimentar e buscando recursos públicos a fundo perdido no BNDES.

Os ferroviários desde 1986 estão discutindo e propondo ações para que o País tenha um Plano Nacional de Viação, que seja capaz de adotar medidas de curto, médio e longo prazos, para que seja corrigida a distorção da atual matriz de transportes hegemonizada pelo setor rodoviário, o que agrava a situação em virtude da demanda cada vez maior de derivados de petróleo, notadamente de óleo diesel, cujos aumentos recentes farão a população pagar mais caro pelos produtos, já que o reflexo do reajuste se dá em cascata em toda a cadeia distributiva e produtiva.

Foi com esta responsabilidade e cumprindo deliberação adotada pela direção do sindicato, que na qualidade de um dos fundadores do PT e membro do Diretório Estadual, que participei dos fóruns que discutiram as políticas a serem adotadas pelo governo do Lula para este setor estratégico da infraestrutura do País, o que no nosso entendimento passa pela intervenção direta do Estado que deve exercer o controle do planejamento, da gestão, da operação e do financiamento para o modal ferroviário, tanto no que se refere ao transporte de cargas, como o de passageiros de médio e longo percursos.

São essas ações que reivindicamos e esperamos que sejam adotadas pelo governo do Lula , o que vai de encontro ao anseio do sr. Arnaldo e outros milhões de brasileiros que gostariam de contar com um sistema eficiente de transporte de cargas e passageiros no País, anseio que também é o nosso, tanto que no projeto de restauração e revitalização do prédio da estação proposto pelo Grupo Marca, fizemos constar cláusula que mantém toda a estrutura para embarque e desembarque de passageiros.

Por fim cabe registrar, que esta entidade possui uma diretoria colegiada composta por 31 diretores que compartilham responsabilidades, onde o respeito às convicções de natureza política, religiosa são plenamente respeitadas, pois como uma entidade plural, tem como elemento galvanizador de unidade de ação da diretoria o seu programa, que tem no centro a defesa dos direitos e reivindicações da categoria, não se colocando na condição de correia de transmissão de nenhuma organização e/ou instituição, o que mantém sua independência política frente ao Estado, governos, partidos políticos e patrões. (Roque José Ferreira - Coordenador Geral do STEFBUMSMT - RG: 9.656.049)