Tomar banho, lavar a roupa e usar o banheiro têm sido atividades impossíveis para alguns moradores do Núcleo Leão 13. Eles vivem na parte alta do bairro e alegam que a falta de água é freqüente. Segundo eles, o problema piorou muito nos últimos quatro meses. Nos dias úteis, a água só chega no período da manhã e desaparece aos finais de semana.
“A maioria das mulheres trabalha fora. Quando chega o feriado ou final de semana não tem uma gota de água nas torneirasâ€, comenta Nadir Pereira Alves. “São os únicos dias que a gente tem para limpar a casa e lavar a roupa da família inteiraâ€, completa Maria do Carmo Navarro de Souza.
De acordo com Aparecida Alves Ferreira, que mora no bairro há dez anos, sempre houve falta de água no núcleo, desde a sua inauguração. “Aí, nós brigamos muito até que o DAE (Departamento de Água e Esgoto) abriu um poço artesiano no Parque Real. Melhorou, mas o volume de casas nesta região aumentou e agora estamos sem água outra vezâ€, desabafa.
Valdelice Bernardo da Silva conta que, nos últimos meses, só chega água de madrugada e no início da manhã. Mas a quantidade é tão pequena que não completa a caixa de reservação, obrigando as famílias a deixar algumas atividades de lado para ter água para cozinhar, usar o banheiro e tomar banho. “Se lavar, não come, nem toma banhoâ€, acrescenta Leonice Mendes Castorino.
Cerca de 15 moradores se reuniram para protestar contra a falta de água, ontem. Eles informaram à reportagem que a justificativa do DAE é que quando o consumo aumenta nas residências da parte baixa, a água não tem pressão suficiente para chegar à parte alta do bairro.
“A tubulação que vem do poço tem bitola (diâmetro) grande. Chega nos núcleos de baixo, ramifica e distribui para vários lados. Com isso, a água é pouca e não enche mais o cano, que fica sem pressão mesmo para subir. Só que eles têm que resolver isso, porque nós também pagamos a águaâ€, ressalta o pedreiro Gerson Bernardes.
Os moradores discutiam a possibilidade de fazer um abaixo-assinado para fazer mais uma reclamação junto ao DAE. Alguns, dizendo-se cansados de pedir, falavam em boicotar a empresa, deixando de pagar as contas até que o abastecimento fosse regularizado.
DAE culpa ventania
De acordo com a assessoria de imprensa do Departamento de Água de Esgoto (DAE) de Bauru, o desabastecimento na região do Núcleo Leão 13 ocorreu ontem porque os fortes ventos de anteontem teriam danificado a linha telefônica que controla o funcionamento do poço. Quando a linha “caiâ€, as bombas são automaticamente desligadas.
“Funcionários do DAE perceberam o problema e colocaram o poço para funcionar novamente no início da manhã (de ontem). A região baixa voltou a receber água imediatamente e a parte alta levou algumas horas para receber, até saturar a parte baixaâ€, informa a assessoria.
A empresa alega, porém, que a falta de água no bairro foi uma situação atípica e que são raros os registros de reclamação por desabastecimento naquela região. Questionada sobre a afirmação dos moradores de que o problema é freqüente e ocorre há bastante tempo, a assessoria reforça que não há registros a esse respeito.
Porém, explica que as redes de tubulação são extensas e se há um vazamento numa rua, é preciso interromper a rede toda para consertar. Se no dia seguinte houver outro vazamento, em outra rua, todo o abastecimento será interrompido novamente. Cada vez que isso acontece, é preciso esgotar a água dos canos para consertar.
“Quando a água volta, a parte baixa daquela região é que vai receber água primeiro e eles vão consumindo. A água precisa encher todos os canos da parte baixa primeiro para depois ter pressão e chegar até o alto, porque ela é enviada para cima com a força da gravidade e isso demora mesmoâ€, completa.
O DAE pede que os moradores telefonem para a empresa sempre que houver falta de água. Essa é a única forma de se fazer um levantamento dos pontos mais prejudicados para se buscar uma solução efetiva.