09 de julho de 2026
Articulistas

Luta contra as drogas


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Levantamento divulgado na semana passada pela Unesco atesta que cerca de 32% dos adolescentes são hoje inveterados usuários de drogas entorpecentes, principalmente cocaína, e que mais ou menos 15 o são no que se refere a bebidas alcoólicas, como uísques, vermouts, cervejas e até as popularíssimas cachaças. E adverte seriamente contra o vício, que resulta sempre em todo um manancial de efeitos altamente nocivos à saúde física e emocional dos jovens consumidores, apontando que o único ponto positivo apresentado pela estatística foi o de que, enquanto cresce de um lado o número de adolescentes que passam a ingerir indiscriminadamente as tais nocividades, de outro constatou o levantamento que mais de 25% de menores, então absorvedores das tais bebidas, vêm abandonando o insidioso mal.

Há razões para que as crianças se encaminhem assim, no sentido do droguismo, e nele se mantenham pelo resto de suas existências e, o que é pior, passem a ensiná-lo, quando adultos, aos seus incautos descendentes, como que um fator de evolução humana? Não poderiam haver, tendo-se em vista que as boas e sadias evoluções tendem a brotar, normalmente, de outras sementeiras, sem dúvida bem honrosas, como afirmou o poeta hindu Tagore sobre a criança-problema: “Dormi e sonhei que a vida era alegria. Acordei e vi que a vida era um dever. Trabalhei e eis que o dever se tornou alegria”. Certo é pensar-se, então, que a criança e seu ambiente são duas forças à procura de um ponto de equilíbrio, uma proveniente do exterior, quase sempre nociva, e outra, benigna, existente no fundo de si mesma, no próprio lar das pessoas, ambas dificilmente se opondo entre si. Defende-se que a educação do adolescente cabe totalmente aos genitores (pai e mãe) e, se ministrada com equilíbrio, possibilita aos menores entender os anseios deles, os quais, inegavelmente, não podem ser o droguismo dos rebentos, os quais terão de aprender bem porque um dia virão a ser zeladores objetivos e carinhosos dos pais, então velhinhos... Estes têm, por isso, enquanto possuam nas mãos as rédeas dos filhos, de cuidar inteligentemente da educação deles, tendo sempre na cabeça a velha sabedoria chinesa, que adverte: “Se você conta com o espaço de um ano, semeie o trigo; se tem pela frente o espaço de dez anos, plante uma árvore; se conta com o espaço de um século então deve educar muito bem uma criança”, ajudando-a a crescer longe das drogas, sem distúrbios psicológicos, mais sensata e obediente e sem a agressividade machista que pode levá-la a esquecer as lições educativas de seus maiores. É também a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)