08 de julho de 2026
Articulistas

Compromisso com o crescimento

(*) Marcos Cintra
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil pode crescer em média 5% ao ano, com inflação anual entre 3 e 5% e juro real básico entre 9 e 10%. Estes números resultam de um trabalho que ajudei a desenvolver junto ao Instituto Atlântico do Rio de Janeiro.

A implementação do Plano Real como ação de combate à instabilidade monetária foi um sucesso. Sem medidas de choque como congelamento de preços, quebra de contratos e confiscos a inflação de mais de 30% ao mês foi eficazmente contida. Hoje, apesar dos repiques inflacionários dos últimos meses, a estabilidade monetária está consolidada em nosso país.

O impacto do Plano Real nos quatro primeiros anos foi positivo no que tange ao crescimento da renda nacional. O PIB real cresceu em média 4% ao ano.

No entanto, a partir de 1998 a variação média do produto nacional caiu para apenas 1,7% ao ano.

Com o Real a economia brasileira recuperou a estabilidade de preços, proporcionando ganhos reais significativos aos salários, minimizando a miséria e a pobreza. Esse ganho de renda alavancou o consumo e, conseqüentemente, fez crescer a renda agregada nacional.

Porém, nos últimos anos os ganhos obtidos com a estabilidade monetária estão indo pelo ralo. O desemprego vem crescendo e a renda real caindo. No ano passado o PIB brasileiro cresceu apenas 1,5% e os trabalhadores perderam em média 4% em seus salários reais.

Tecnicamente há meios para se reverter o quadro. Os agentes públicos e privados precisam empreender ações consensuais em determinadas áreas, sobretudo a tributária, para que o país gere renda e empregos. A política econômica brasileira demanda ações desenvolvimentistas urgentes. Depois da estabilidade dos preços chegou a hora de encarar os fatores limitantes do crescimento econômico. A vulnerabilidade das contas externas, o elevado custo da dívida pública, as altas taxas de juros e a sufocante carga de impostos são gargalos cuja remoção são imprescindíveis para a expansão da riqueza nacional.

O Brasil tem uma enorme dívida social que só começará a ser resgatada quando a economia voltar a crescer de modo auto-sustentado. Para isso, há projetos como o do Imposto Único, que pode ser uma alternativa para o pacto social vingar, uma vez que representa um mecanismo de alavancagem para a economia, onde ganham as empresas, os trabalhadores e o governo.

(*) Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque é doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA) e professor-titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas. É deputado federal pelo PFL/SP