08 de julho de 2026
Saúde

Fluorose afeta 30% das crianças

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A descoberta de que o flúor poderia auxiliar o ser humano no combate às cáries foi motivo de festa para os profissionais da odontologia no século 19. De lá para cá, estudiosos de todo o mundo empenharam-se em buscar as melhores formas de incluir o elemento no consumo diário das pessoas.

Um dos maiores avanços, neste sentido, foi a adição de flúor ao tratamento da água potável, prática adotada pela maioria dos países. No Brasil, a água é fluorada desde 1953. Em Bauru, desde 1975.

Na década de 80, surgiram as campanhas pela aplicação tópica do flúor nas escolas e consultórios de dentista. E muitos profissionais prescreveram comprimidos de flúor como suplemento para crianças.

Mais recentemente, no final do século 20, indústrias farmacêuticas também incluíram o flúor aos cremes dentais no intuito de reduzir ainda mais o aparecimento das cáries. E para garantir que as crianças fossem beneficiadas desta prevenção, os dentifrícios ganharam sabores: morango, tutti-fruti, menta, hortelã, mel.

O problema é que, além da água e dos cremes dentais, o flúor aparece em alguns alimentos, principalmente os industrializados e enlatados. No fim do dia, a quantidade do produto ingerida tem ultrapassado os limites saudáveis.

Como todo elemento químico, o flúor é tóxico ao organismo quando usado em altas concentrações. Ao invés de proteger, ele acaba causando uma patologia, cujas conseqüências vão desde o enfraquecimento de dentes e ossos até a morte súbita por intoxicação.

Existe uma quantidade adequada de flúor que pode ser consumida. Ela é proporcional ao peso de cada indivíduo. Quanto menor a pessoa, menor será o limite para o uso do elemento. Por isso, as principais vítimas da fluorose são as crianças. Pesquisas indicam que 30% delas no Brasil apresentam a patologia, em graus variados.

Felizmente, as intoxicações severas e letais são muito raras. O mais comum é a fluorose dental, que prejudica a dentição permanente da criança. É preciso preveni-la, pois quando as conseqüências aparecem, não há mais cura e a estética só poderá ser recuperada com a restauração dos dentes.