Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estão próximos de desenvolver um novo combustível feito de bagaço de cana-de-açúcar. O bio-óleo, como é chamado pelos cientistas, pode vir a ser um substituto do óleo diesel, além de entrar na composição de vários compostos químicos, como plásticos.
As informações são do CNPq Notícias, boletim informativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico que está sendo divulgado pela Comissão Gestora do Programa do Uso Racional de Energia câmpus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo Luiz Augusto Barbosa Cortez, um dos coordenadores da pesquisa, a previsão é terminar todas as experiências no prazo de um ano. “Vamos conseguir transformar fibras em combustível líquido†diz ao explicar que a intenção é disponibilizar o bio-óleo para uso comercial.
Além do bagaço de cana, explica José Dilcio Rocha, também participante da pesquisa, outros materiais biológicos, resíduos comuns na produção brasileira, como casca de arroz, palha de cana e serragem, por exemplo, também podem ser utilizados na produção de combustível. “Podemos utilizar biomassa de diferentes fontes, com a única condição de estarem disponíveis em pequenas partículas (moídas) para produzirmos o bio-óleoâ€, explica.
Até o momento, o projeto recebeu o apoio do CNPq e de órgãos de fomento à pesquisa federais e estaduais. A participação da iniciativa privada é ainda muito pequena. Somente a Copersucar investiu no estudo, cedendo suas instalações de Piracicaba para os experimentos.
Entretanto, a expectativa para os próximos meses é mais promissora. Luiz Augusto acredita que, terminada a pesquisa, empresas de combustíveis e químicas se interessem pelo bio-óleo e passem a produzi-lo em escala industrial. Para assegurar os direitos sobre a invenção, processos de patente já foram iniciados no Brasil, e logo requerimentos internacionais também serão feitos.
Biomassa e combustíveis
Já há alguns anos pesquisadores de vários países desenvolvem estudos para obter combustíveis a partir de biomassa, ou seja, por meio de uma espécie de ‘reciclagem’ de material biológico.
Hoje, por exemplo, já existem turbinas de geração de energia, com capacidade de 2,5 megawatts que utilizam o bio-óleo como combustível.
Experiências como essas estão concentradas nos países da União Européia, EUA e Canadá. A pesquisa da Unicamp, que utiliza bagaço de cana como matéria-prima, começou há apenas cinco anos.
Mesmo assim, com investimentos próximos a R$ 500 mil, os pesquisadores paulistas já desenvolveram uma planta piloto para processamento do bagaço, ou seja, montaram um protótipo de reator com capacidade de processar de 100 a 200 quilos de material por hora, com um aproveitamento de 70%.
Para conseguir transformar o bagaço em combustível, os cientistas submetem o material a um processo chamado pirólise rápida, ou seja, decompõem as moléculas do resíduo da cana pelo calor, mas sem a presença de oxigênio e, conseqüentemente, combustão.