09 de julho de 2026
Polícia

Mulher acusada de assassinar o marido a marretada vai a júri

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O Tribunal do Júri de Bauru se reúne hoje para julgar a dona de casa Aparecida de Fátima dos Santos, 43 anos. Ela é acusada de ter matado e ocultado o corpo de seu companheiro, o caseiro João Vieira de Mello, 42 anos, em novembro do ano passado, no Recanto Aprazível, sítio localizado às margens da rodovia Bauru/Marília.

O julgamento tem início às 9h no fórum local. A dona de casa responde por homicídio doloso, crime que prevê pena de reclusão de 12 a 30 anos e por ocultação de cadáver, cuja pena prevista é de um a três anos de reclusão.

Ela está presa por força da prisão preventiva decretada em março deste ano, após denúncia do Ministério Público - ela havia respondido inquérito em liberdade. O júri será presidido pelo juiz Benedito Antônio Okuno.

Na acusação estará o promotor público João Henrique Ferreira e na defesa, o advogado Paulo Roberto Ramos. O crime teria sido motivado, segundo a acusada, pelas constantes agressões que ela diz ter sofrido por parte dele.

Mello, de acordo com ela, era um homem agressivo e, quando embriagado, costumava surrá-la, além de proibi-la de ver seus filhos, fruto de um primeiro relacionamento.

Como foi

No dia do crime, Mello teria, mais uma vez, proibido Aparecida de telefonar para um dos filhos dela, além de tê-la puxado pelos cabelos. “Ele estava nervoso porque a cerveja que ele havia encomendado estava demorando para chegar”, contou a acusada à polícia, na época.

Depois do desentendimento, o caseiro teria ido dormir, oportunidade em que a mulher teria pegado uma marreta, usada por ele nos serviços gerais, e desferido dois golpes contra seu companheiro, conforme confessou na ocasião de inqúerito.

Para facilitar o transporte do cadáver, a acusada contou que amarrou os pés e as mãos da vítima com arame e envolveu o corpo em um lençol. Para não ver o rosto do companheiro, ela usou sacos plásticos.

O corpo foi colocado em um carrinho de mão e levado até uma cova no quintal do recanto, conforme contou. Como parte do corpo ficou para fora, a dona de casa relatou que usou uma serra elétrica para cortar as pernas do marido, na altura do joelhos, até que o corpo coubesse na vala.

A cova rasa foi coberta de terra e algumas plantas foram colocadas no local. Para dissimular, a mulher avisou os filhos que o companheiro tinha desaparecido. Para os vizinhos, contou que Mello havia desaparecido, mas estava retornando.

Antes de fugir para o Mato Grosso, a dona de casa escreveu três bilhetes e os deixou em sua casa. Foi para o centro de Bauru de mototáxi, meio usado para mandar para a vizinha o aparelho celular, um bilhete e o relógio da vítima.

Em um dos bilhetes encontrado na casa, Aparecida quase confessou o crime e prometia cometer suicídio. No entanto, ela desistiu da idéia após falar com parentes em Bauru. Aparecida retornou à cidade e confessou o crime no 1.º Distrito Policial, dias depois do encontro do cadáver.