Quem gosta de música, em especial da parte da percussão, tem até o dia 24 de novembro a rara chance de ver e compreender um pouco melhor o universo do tambor - o mítico instrumento que é parte da cultura musical brasileira.
É até essa data que vai a exposição “Tambores do Brasilâ€, composta por instrumentos criados pelo músico Afonsinho Menino, que está sendo realizada pela Secretaria Municipal de Cultura. A abertura da mostra foi ontem à noite para marcar o início da Semana da Consciência Negra, mas as peças estarão abertas ao público a partir de hoje.
A exposição conta com cerca de 25 instrumentos de tamanhos e formas variadas, na maioria tambores de pele bovina. Todos os instrumentos de percussão forma confeccionados de forma artesanal – individualmente ou por meio de oficinas – por Menino.
A mostra também evidencia o trabalho do músico e artesão com materiais alternativos, como o PVC e a sucata.
Segundo Afonsinho Menino, a exposição “Tambores do Brasil†ressalta a grande influência da cultura negra no surgimento da chamada cultura brasileira. “Ao construir estes instrumentos, estamos estudando não só a percussão enquanto ritmo musical, mas também a realidade do Brasil, na maioria das vezes esquecida pela indústria culturalâ€, afirma, de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Cultura.
Os instrumentos
Presentes nos costumes de origem africana, os instrumentos de percussão da classe dos tambores também são encontrados em outras culturas. Trata-se das mais primitivas formas de instrumentos musicais. Os tambores presentes na cultura negra são utilizados tanto nos rituais religiosos – como o candomblé – quanto nas festividades do carnaval.
Eles são sistematicamente divididos em famílias constituídas de instrumentos do mesmo tipo, com tamanhos variados, segundo dados da assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura.
Os ylus são os maiores e correspondem aos surdos das escolas de samba, não havendo denominação específica para cada membro da família. Já os atabaques correspondem às tumbadoras. A exemplo destas, são executados individualmente, em duo ou trio de instrumentos.
Os batás são divididos em duas categorias: o batá de Oxum, com uma face; e o batá de Xangô, com duas. O primeiro pode ser confeccionado com a cabaça e se assemelha ao bongô ou às tablas italianas. Já o batá de Xangô tem suas extremidades cobertas com peles e não possui similares na cultura ocidental.
O tambor falante também é bastante curioso. O instrumento recebe este nome pelo fato de o percussionista poder alterar a afinação da pele pressionando com os braços as cordas que a estica. Este efeito ainda é obtido de maneira similar no dundum, também conhecido como tímpano.
• Serviço
Exposição “Tambores do Brasilâ€, com instrumentos confeccionados pelo músico Afonsinho Menino. A realização é da Secretaria Municipal de Cultura, Sociedade Amigos da Cultura e Projeto Ouro Verde 100% Arte. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1092.