10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ferroviários enviam resoluções ao PT

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Sindicatos de ferroviários e metroviários de todo o País enviaram nesta semana um documento com resoluções sobre o setor à equipe de transição do governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ao presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu. O documento foi elaborado na semana passada durante o Encontro Nacional da Categoria Metroferroviária, realizado no Rio de Janeiro.

Para o coordenador da equipe de transição, Antônio Palocci Filho, foram enviadas as resoluções de viés “macroeconômico”, que poderiam contribuir para os projetos anunciados como prioridades do governo Lula, como o combate à fome, o aumento das exportações e a geração de empregos através de medidas para as ferrovias.

As resoluções endereçadas a Dirceu dizem respeito a questões mais corporativas da categoria metroferroviária, como as relacionadas às aposentadorias e pensões de trabalhadores, paridade salarial entre ativos e inativos, suspensão de ações de despejo de imóveis residenciais ocupados por ferroviários e medidas para evitar o fechamento de postos de trabalho.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque José Ferreira, haverá um encontro com representantes do novo governo no próximo dia 28, em Brasília, quando serão discutidas as propostas consideradas de maior urgência.

Um exemplo, segundo Ferreira, é a intenção da Brasil Ferrovias de fechar oficinas de manutenção e mecânica e acompanhamento de terminais em Bauru. “Isso faria com que, só aqui na cidade, mais de 50 ferroviários fossem demitidos, e esse é um processo rápido, para ser concluído até o final de novembro”, observa.

O encontro nacional também apresenta propostas de longo prazo para o desenvolvimento econômico do País através da suspensão do processo de liqüidação da Rede Ferroviária Federal S/A (Rffsa), prevista para o final deste ano. De acordo com Ferreira, a categoria espera demonstrar à equipe de transição que as regras contratuais não estão sendo cumpridas pelas concessionárias.

“Nós temos vários problemas em relação ao não-cumprimento das regras de contrato. Isso tem feito com que o transporte ferroviário no Brasil, ao invés de cumprir sua obrigação de ajudar na infra-estrutura do País, acabe se tornando monopólio privado”, aponta Ferreira, que prefere evitar a palavra “reestatização”.

Os sindicatos também pretendem apresentar o transporte ferroviário como uma alternativa mais barata ao rodoviário. Uma das propostas seria a “conquista do Oeste”, ou seja, o aproveitamento da malha do porto de Santos ao porto de Iquique, no Chile, passando por Corumbá (MS), o que significa escoamento de produção pelo Oceano Pacífico.

“Se a saída para o País é aumentar sua exportação, é necessário ter rotas capazes de aumentar o nível de produção e desonerar custos para aumentar a competitividade”, diz Roque. E finaliza: “O problema que temos com a malha ferroviária em Bauru é um problema que temos em todo o País.”