09 de julho de 2026
Economia & Negócios

CEF quer vender novo fundo em 1 mês

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A Caixa Econômica Federal (CEF) pretende vender entre 20 e 30 dias todas as 104,8 mil cotas do Fundo de Investimento Imobiliário (FII), que entrou em operação ontem em todo o País. A afirmação é do vice-presidente de administração de ativos de terceiros da CEF, Edson Nascimento de Oliveira Júnior. Em Bauru, o novo produto já está disponível em todas as agências da Caixa.

De acordo com Oliveira Júnior, o valor mínimo de aplicação é de R$ 1 mil, o mais baixo do mercado, segundo a CEF. O novo fundo é direcionado a pequenos e médios investidores que tenham perfil conservador e visão de longo prazo, conforme destaca o vice-presidente.

Para colocar em prática a operação, a CEF está vendendo um imóvel de sua propriedade avaliado em R$ 100 milhões ao FII, que será alugado à própria instituição por um período de dez anos, renovável pelo mesmo prazo.

“A rentabilidade para os cotistas virá dos aluguéis pagos pela Caixa ao fundo. A locação garante rentabilidade ao investimento e agrega um valor expressivo às cotas, pois a hipótese de vacância do imóvel ou de inadimplência é remota”, ressalta Oliveira Júnior.

Ele explica que a Caixa estruturou o fundo e fará as vendas. Contudo, não será a administradora do FII. “Tendo em vista o conflito de interesses, já que a Caixa está vendendo e alugando o imóvel, fica complicado gerenciar os negócios. Então, foi realizado um processo seletivo e a Caixa escolheu uma instituição financeira para administrar o fundo”, relata o vice-presidente.

Sem resgate

Ainda de acordo com Oliveira Júnior, trata-se de um fundo fechado, no qual não há resgate de cotas. Ou seja, se o cotista quiser “sair” da aplicação, as cotas não poderão ser recompradas. Por isso, a CEF criou dois sistemas para a negociação de cotas, através de mercado secundário.

“Para que fique interessante para o cliente, a Caixa cadastrou as cotas do fundo no Soma (sistema de negociação) da Bovespa, no qual todas as instituições financeiras que têm acesso ao Soma podem negociar os ativos. A outra opção é que a Caixa tem planos de atuar na liquidez desse fundo, buscando criar uma cultura para o investidor”, explica Oliveira Júnior.

O valor do aluguel do prédio vendido pela Caixa ao FII é de R$ 1,25 milhão, montante que será dividido entre todos os cotistas. Segundo informa a assessoria de imprensa da Caixa, o valor a ser mensalmente distribuído para os cotistas será igual ou superior a 95% dos rendimentos líquidos do fundo.

A receita bruta do fundo será constituída pelo aluguel mensal do imóvel. Para o cálculo da receita líquida serão deduzidas a taxa de administração, despesas regulamentares (custos de publicações, auditoria, Soma), taxa de custódia e despesas extraordinárias do imóvel não-pagáveis pelo locatário, além de 5% para a constituição de um fundo de reserva.

“Os rendimentos, proporcionais à quantidade de cotas adquiridas, serão creditados mensalmente aos cotistas em conta corrente na Caixa, descontado o Imposto de Renda, que incide na base de 20% sobre os rendimentos distribuídos”, afirma Oliveira Júnior.

Segurança

De acordo com ele, um dos principais atrativos do FII para pequenos e médios investidores é a segurança. As expectativas da Caixa são bastante otimistas em relação à venda das cotas, prevista para ocorrer dentro de no máximo 30 dias.

“Trata-se de um investimento de baixíssimo risco, tendo em vista que quem garante o fluxo de aluguéis é a própria Caixa, e a remuneração é muito boa quando comparada com ativos compatíveis. Temos uma projeção de que esse fundo vai gerar uma renda líquida, antes do Imposto de Renda, entre 11% e 12% ao ano, sendo que o aluguel do imóvel é corrigido anualmente pelo IGP-M”, observa Oliveira Júnior.

O Fundo de Investimento Imobiliário é regulamentado com base na Lei nº 8.668, de 25 de junho de 1993, alterada pela Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999.