10 de julho de 2026
Articulistas

O ciclo vital em Bauru


| Tempo de leitura: 3 min

Cientistas procuram, ansiosos, ambientes propícios a fim de escreverem teses sobre questões de ecologia, ecossistema. Observando a avenida Getúlio Vargas, na calçada que beira o lado de cima do aeroporto, aqui em Bauru, durante minhas habituais caminhadas, percebo a presença de um perfeito equilíbrio ecológico.

Especialmente nos sábados e domingos é possível verificar como se dá o ciclo vital homem/natureza.

Ali, nas sextas-feiras e nos sábados, reúne-se a fina flor da juventude bauruense. Para os automóveis na avenida citada e, com namoradas/namorados, passa-se horas da noite na conversa e algo mais.

No dia seguinte, o terrível “day after”, o testemunho da presença da juventude: garrafas de vinho - bom gosto - latas de cerveja, copos de plásticos usados, guardanapos devidamente usados e embalagens sem os produtos.

É o início, então, do ciclo da vida. Por ali já vão passar os catadores de papel, de latas, de garrafas de plásticos, ganhando, portanto, seu dinheiro. Logo os cães vão encontrar alguns restos de sanduíches. Como a juventude fica encostada e amassando os protetores das sempre tenras árvores - sempre tenras, pois não crescem, já que a juventude não permite - os próprios protetores devem ser substituídos. Assim, mediante licitação, a Prefeitura adquire novos protetores e,com isso, seus funcionários implantam novos protetores. Nesse caso, os fabricantes de protetores de árvores já conseguem seu dinheirinho também. Os funcionários assim justificam o salário que recebem. Os varredores de rua têm o que fazer. Afinal, devem limpar o que sobra ali da juventude. A Prefeitura também colabora com essa expansão do ecossistema, uma vez que não instala recipientes de lixo e nem faz campanha para preservação, para valer, do ambiente.

Bom, e as árvores? Justamente onde os carros param e a juventude fica namorando/conversando, as árvores não crescem. Coincidência? Não. Na história não há coincidências. Há causa e conseqüência. Claro, devem ser cortadas pela juventude. Afinal, ela sabe que alguém vai lucrar na venda de mudas de novas árvores; e funcionários justificarão seu salário plantando as novas árvores.

Na sexta-feira ou no sábado seguintes continuam amplas as condições para o equilíbrio do ecossistema. Os bares vão fornecer cerveja, sanduíche, vinho, copo, etc e também vão ganhar seu rico dinheirinho. A juventude vai à avenida Getúlio Vargas e...

E assim a vida vai. As caminhadas na avenida Getúlio Vargas, ali na calçada de cima do aeroporto, continuam e, cada vez, mais, pessoas que lêem o universo com maior atenção vão também exercitando sua cidadania, exercitando sua atividade de redação.

Só acho que não haveria necessidade de se usar o espaço tão útil de um jornal para reclamar de uma coisa tão fácil de ser resolvida. A campanha pela preservação do ambiente pode muito bem começar em casa com os pais, no recinto familiar, continuar na escola e ser ampliada pela Prefeitura. Ou mesmo a própria juventude deveria assimilar por osmose quão é importante preservar um bem público, isto é, pertencente a todos os cidadãos

Aí, de fato, teremos o verdadeiro perfeito equilíbrio do ecossistema. (O autor, João Batista Neto Chamadoira, é professor. E-mail:jobachama@uol.com.br)