10 de julho de 2026
Polícia

Atendimento psicológico ajuda investigação

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

As vítimas de estupro em Bauru recebem atendimento médico na Maternidade Santa Isabel e são encaminhadas para acompanhamento psicológico, que é importante para a recuperação da mulher e auxilia as investigações sobre o crime.

Quando a polícia é acionada por um caso de estupro, a primeira providência, após passar pelo Plantão Policial ou pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), é conduzi-la à maternidade.

O diretor da instituição, José Luiz Castilho, explica que a mulher é examinada por um médico ginecologista e pelo médico legista, que constata eventuais lesões e colhe secreções da vagina para confirmar o crime.

Em alguns casos, é necessário fazer suturas e o procedimento é imediatamente providenciado.

A mulher é orientada sobre a importância de tomar um anticoncepcional de urgência para evitar gravidez e é encaminhada ao Serviço de Moléstias Infecciosas (SMI), da Prefeitura de Bauru, onde recebe medicamentos para prevenir a aids e doenças sexualmente transmissíveis.

O passo seguinte é recorrer ao Núcleo de Apoio Psico-Social, local em que a mulher vítima de estupro recebe atendimento psicológico.

Rosângela Maria Barrenha, psicóloga da equipe mínima de Saúde Mental da Prefeitura de Bauru, ressalta a importância da terapia para a mulher violentada sexualmente.

O crime pode provocar estresse pós-traumático. Esse é o nome dado pelos profissionais ao estado de choque da mulher, que muitas vezes não consegue falar sobre o que aconteceu.

“Nós tentamos sensibilizá-la a superar o que aconteceu, melhorar a auto-estima e incentivá-la a buscar justiça”, expõe Rosângela. A síndrome do pânico é uma das possíveis conseqüências do estupro. A mulher fica com medo de sair na rua ou de estranhos.

O remédio é tentar readequar a percepção da vítima, que fica alterada. Isso é chamado ansiedade antecipatória. A mulher passa a ter medo de situações comuns, em que está fora de risco.

A recuperação pode ser demorada. “O tempo de tratamento depende dos valores que a pessoa tem em relação à sexualidade”, salienta a psicóloga.

Outro problema acarretado pelo estupro é a fobia de relações sexuais durante algum tempo. A mulher desenvolve o vaginismo, ou seja, contrai involuntariamente a musculatura da vagina, impedindo a penetração.

“O crime sexual é o pior de todos. Ele fere a mulher no que a faz mulher. O estupro não é um ato de desejo. É um ato de ódio”, acredita a psicóloga.