08 de julho de 2026
Rural

Agricultor quer atenção do governo

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Pesquisa feita pelo instituto Kleffmann, especializado no setor agrícola, mostrou que o homem do campo espera que o novo governo federal invista na agricultura. Acostumados a entrevistar produtores rurais sobre as mais diferentes culturas, dessa vez pesquisadores do instituto saíram a campo com a missão de descobrir o que os agricultores esperam do novo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumirá em janeiro de 2003.

Os pesquisadores ouviram 2.027 produtores dos mais importantes estados agropecuários do País: São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Foram entrevistados produtores das principais culturas nacionais, como soja, milho, algodão, café e arroz, e outros de culturas menores, como mandioca, mamona, girassol, além de pecuaristas.

Segundo a assessoria de imprensa do instituto, os pesquisadores colocaram uma pergunta aberta, em que os produtores rurais deveriam enumerar as três prioridades do novo governo. Entre os entrevistados, 18,3% não responderam a essa questão. Mas 17,2% disseram que esperam investimentos na agricultura.

Ao contrário do que se imagina, o produtor rural também tem expectativas idênticas às da população urbana. Tanto é que a segunda preocupação deles é com a saúde (9,2%), a terceira, com a segurança pública (8,9%) e a quarta, com a educação (6,6%).

Entre os entrevistados, 4,8% esperam que o novo governo mantenha a estabilidade da moeda e 4,3% querem a definição de uma política agrícola. Outros 3,3% pedem financiamento para a agricultura e 2,7%, subsídio. Alguns produtores também lembraram da importância de o novo presidente combater o subsídio agrícola norte-americano, rever a reforma agrária, investir em pequenas propriedades e em seguro agrícola, além de regulamentar o cultivo transgênico.

Prioridades

Entre os entrevistados do instituto que fizeram sugestões para o novo governo, a maioria deles, 17,2%, disse que é preciso haver mais investimentos na agricultura. Essa questão é unanimidade em todos os estados, mas as demais prioridades variam de região para região.

Por exemplo: enquanto 9% dos entrevistados de São Paulo acham que a segurança pública está entre as três principais prioridades do novo presidente, em Santa Catarina, onde os índices de violência são bem menores, essa questão fica em sétimo lugar. Os catarinenses acham mais importante investir na agricultura, saúde, educação, estabilidade da moeda, criar uma política agrícola e novas linhas de financiamento para o setor.

Na Bahia, 13% dos entrevistados pedem financiamento para a agricultura e apenas 1% diz ser importante investir na educação; 5% acham que é preciso haver mais investimentos em saúde e 6% se preocupam com a segurança pública. Outros 3% dos baianos querem que o novo governo combata o subsídio americano e 3% sugerem um seguro agrícola.

A segurança pública é a preocupação de muitos entrevistados. Em Goiás, 12% querem mais segurança. Em Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná, esse percentual é de 10%. Ou seja, os agricultores desses quatro estados, assim como os paulistas, consideram essa uma das três prioridades do novo governo.

Embora reivindique um olhar mais atento às questões do agronegócio, o produtor rural também se preocupa com os problemas tipicamente urbanos, como segurança pública, saúde, educação, emprego, habitação etc.

Segundo a assessoria de imprensa do Kleffmann, foi uma pesquisa inédita para o instituto, que atua no mercado agropecuário desde 1997. A amostragem, que conta apenas com o homem do campo, indica que os agricultores, responsáveis por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, sabem muito bem o que esperam do novo governo.