A família de Maria do Socorro da Silva quer apurar as circunstâncias em que ela morreu, uma semana após ter dado à luz a um menino. A família questiona o atendimento prestado pela Maternidade Santa Isabel e pelo Pronto-Socorro Central (PSC), por onde a moça passou por consulta no mesmo dia da sua morte.
A irmã da vítima, Maria de Jesus da Silva, conta que a cesária, realizada na madrugada no dia 29, foi problemática e que Maria do Socorro teria perdido muito sangue durante a cirurgia, a ponto da equipe médica ter proposto uma transfusão de sangue. “Mesmo assim, ela recebeu alta dois dias depoisâ€, ressalta.
Ainda segundo ela, passado alguns dias, Maria do Socorro começou a sentir falta de ar e dor de cabeça. Com o passar dos tempo, o quadro teria evoluído para tosse e gosto de sangue da boca. Por essa razão, no dia 6, ela foi até o PCS, onde foi atendida e submetida a exame de sangue.
A família ainda informa que Maria do Socorro teria saído do pronto-socorro apenas com uma receita de xarope, embora ela já estivesse cuspindo sangue.
“Ela me contou no mesmo dia, que o profissional que a atendeu disse que ela poderia ter tido uma embolia cerebral, o que provocaria a morte. Acho que ela deveria ter permanecido no hospital, pelo menos por observaçãoâ€, comenta Maria de Jesus.
Na mesma noite, em casa Maria do Socorro voltou a passar mal e vomitar sangue. O resgate do Corpo de Bombeiros foi acionado durante a madrugada do dia 7, prestou socorro, mas ela morreu dentro da viatura, também expelindo sangue pelo nariz.
“Minha tristeza é que não pude fazer nada para ajudá-la. É muito difícil imaginar que uma mulher de 25 anos não vai sobreviver para cuidar dos próprios filhosâ€, lastima aos prantos Maria de Jesus, que deve ajudar na educação dos três sobrinhos, o mais velho com 6 anos.
A morte precoce de Maria do Socorro surpreendeu o médico que a atendeu no PS, e que terá o nome resguardado durante as investigações. Segundo ele, na consulta do dia 6, a moça queixou-se apenas de tosse e fraqueza.
“Ouvi o pulmão dela, que estava bem. Também indiquei um exame de sangue para apurar uma possível anemia, que foi confirmada depois. Em nenhum momento ela reclamou de gosto de sangue na bocaâ€, ressalta ele, que nega ter feito qualquer comentário sobre embolia.
O profissional ainda teria alertado a moça sobre o fato da consulta não diagnosticar doenças e a teria orientado a procurar novamente o PS em caso de piora do quadro.
O médico que prestou atendimento é bem conceituado no PS e recebeu elogios do diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Felinto dos Santos Neto. Ele levará o caso à comissão de ética do pronto-socorro.
O diretor clínico da Maternidade Santa Isabel, José Luís Castilho, também informou que a paciente estava bem após dar à luz. “Ela perdeu um pouco mais de sangue durante a cirurgia porque tratava-se da terceira cesária. Ou seja, era o terceiro corte no mesmo local. Neste casos, um sangramento um pouco maior é normalâ€, explica.
As alegações médicas deverão ser confirmadas em inquérito policial, já que a família registrou um boletim de ocorrência para apurar o caso, na segunda-feira. Maria de Jesus pensa em ajustar um advogado para acionar judiciamente o PS.