09 de julho de 2026
Geral

Hospital Estadual cobra para estacionar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital Estadual (HE) de Bauru, desde o dia 11, quando iniciou oficialmente suas atividades, cobra pelo menos R$ 1,00 de quem quer deixar seu veículo dentro do estacionamento do prédio.

Uma placa instalada na entrada hospital alerta o motorista sobre o pagamento. Depois da primeira hora, que custa R$ 1,00, o valor é acrescido em R$ 0,50 a cada 60 minutos transcorridos. São isentos da cobrança os condutores que passam pelo HE apenas para deixar pacientes.

Quem se recusa a despender a quantia para permanecer numa das 360 vagas e estaciona o veículo na avenida Luiz Edmundo Carrijo Coube, na frente do hospital, está sujeito a multas, conforme informa a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Ontem à tarde, dez carros estavam parados irregularmente em frente ao hospital.

A taxa e a possibilidade de autuação revoltaram o motorista Ademar Zorzi, que pagou para ficar dez minutos no hospital. “Para mim, isto é tirar proveito de uma situação porque na avenida não dá para estacionar”, reclama.

Já para Daniel Marques de Aguiar, a arrecadação é aceitável, desde que os condutores que entram no HE apenas para buscar pacientes continuem livres da cobrança. “A entrada e saída de pacientes é distante da portaria do hospital”, ressalta.

Diretoria

Justamente para garantir essa reivindicação é que a entidade está estudando uma maneira de identificar o veículo que entra no HE apenas para transportar quem precisa de atendimento médico. “Por enquanto, como param aqui cerca de dez carros por dia, este controle é feito a olho”, explica o diretor de implantação do HE, Carlos Alberto Macharelli.

Segundo ele, a entidade firmou um contrato temporário, até o próximo mês, com uma empresa de Araraquara que terceirizou o serviço. “O assunto será rediscutido e, se o estacionamento for realmente terceirizado, haverá uma licitação”, informa.

Marcharelli ressalta que independentemente de quem assumir o estacionamento - Estado ou iniciativa privada -, a cobrança será mantida.

“Se hoje danificarem um automóvel aqui, a empresa assume o ônus. Caso a atribuição passe ao hospital, também teremos de arcar com eventualidades desta natureza pagando um seguro. Não temos interesse no dinheiro, mas na segurança”, coloca.

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Renda

Hoje, todo o recurso arrecadado junto aos motoristas que utilizam do estacionamento é destinado à empresa terceirizada, que propôs a cobrança da maneira como está implantada. A proposta foi aceita pela diretoria do hospital, que atribuiu a ela a responsabilidade pela jardinagem do hospital.

“Assim como funciona em Botucatu, as empresas que explorarem serviços aqui, como lanchonete e banco, terão de trazer algum benefício ao HE”, destaca o diretor Carlos Alberto Machelli. Para ele, quando o hospital estiver operando com capacidade máxima, em meados de 2004, atenderá cerca de R$ 4 mil pessoas ao dia e contará com 1.500 profissionais.

“Portanto, as 360 vagas disponíveis serão insuficientes. Teremos de planejar o desenvolvimento da região. Nossa idéia é discutir com os conselhos gestores de saúde uma saída para este e outros problemas”, finaliza.

O Ministério Público Estadual e a prefeitura Municipal de Bauru não souberam informar se por tratar-se de um órgão público, a cobrança é legítima. A Emdurb não se manifestou porque os funcionários do departamento jurídico não estavam na empresa.

O diretor da Associação Brasileira das Locadora de Automóveis, Fernando Cornélio, também não soube confirmar a informação, mas ressaltou que para o hospital deve ser mais barato terceirizar, do que arcar com o seguro.

Baia para carros

A Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) dispõe de um projeto que prevê a acomodação de veículos de passeio, táxis e ônibus nas proximidades Hospital Estadual de Bauru. Sua implementação depende de recursos do governo do Estado.

De acordo com a responsável pela pasta, Maria Helena Rigitano, quando a proposta for implementada, a avenida Luiz Edmundo Carrijo Coube será duplicada e serão instaladas três baias para carros. Uma com cerca de 25 vagas para o estacionamento de veículos, outra para taxistas e uma terceira para ônibus.

“Esperamos que a verba seja liberada no próximo ano, já que a prefeitura não conta com dotação orçamentária para implementar a idéia”, conclui.