09 de julho de 2026
Regional

Estudo aponta melhora na saúde bucal

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Um levantamento feito pela Secretaria de Estado e Ministério da Saúde em quatro cidades da região concluiu que as crianças que bebem água fluorada apresentam uma melhor saúde bucal.

O resultado é fruto de uma pesquisa realizada no primeiro semestre deste ano e que envolveu 1.846 crianças de 12 anos nas cidades de Boracéia, Dois Córregos, Iacanga e Sabino.

Para 2000, o índice CPOD (dentes cariados, perdidos e obturados) da Organização Mundial da Saúde (OMS) era de três dentes por criança.

De acordo com o levantamento, nos municípios onde a água é fluorada, o índice CPOD foi de 2,83. Ou seja, ficou abaixo da meta estabelecida pela OMS.

Nos locais onde não há fluoração da água, o índice sobe para 3,26 dentes cariados, perdidos e obturados.

Para a professora Nilce Emy Tomita, da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), esses dados refletem os benefícios da adição de flúor na água consumida pela população.

Segundo ela, no levantamento realizado em 1998, em oito cidades abrangidas pela Divisão Regional de Saúde (DIR-10), o índice CPOD foi de 4,85 nos municípios com água fluorada e de 5,01 naqueles onde não há flúor.

Em comparação ao levantamento feito este ano, observa-se, com esses dados, uma tendência decrescente de cárie em crianças.

Outro dado importante do levantamento diz respeito a fluorose (defeito no desenvolvimento do esmalte do dente). Das 532 crianças examinadas, 3,95% apresentaram fluorose.

O problema é causado pela ingestão excessiva de flúor. Além da água, o flúor é encontrado nos cremes dentais e em alguns alimentos, principalmente os enlatados e industrializados.

Ingerido em excesso, ele deixa de proteger o organismo e passa a ser um problema. As consequências vão desde o enfraquecimento dos dentes e ossos até a morte súbita por intoxicação.

De maneira geral, na opinião da professora, a água fluorada e o creme dental são os principais responsáveis pela queda da cárie no mundo todo.

Segundo ela, 90% do creme dental à venda hoje no mercado brasileiro tem flúor.

O levantamento teve apoio científico da FOB/USP e contou com a participação de cirurgiões-dentistas das secretarias municipais de Saúde das quatro cidades e a coordenação técnica da DIR-10.

Segundo a professora Nilce, as quatro cidades que participaram do levantamento foram escolhidas por sorteio. A pesquisa foi feita nas escolas.

O objetivo do trabalho, segundo o Ministério da Saúde, é produzir informações sobre a saúde bucal da população brasileira e planejar ações nessa área dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

As metas da OMS, segundo Nilce, são estabelecidas a cada dez anos. Seria um prazo suficiente para que os diferentes municípios, estados e países programem suas políticas de saúde ao longo do tempo para atingir as metas.

Flúor na água

As quatro cidades da região incluídas no levantamento sobre a saúde bucal oferecem água fluorada à população.

A primeira a se preocupar com a questão foi Boracéia. A prefeitura adiciona flúor na água desde 1980. Sabino, na região de Lins, começou mais ou menos na mesma época.

Embora não soubesse informar exatamente o ano em que a cidade passou a contar com a adição de flúor na água servida à população, o funcionário público Válter Nicolini garante que foi no início da década de 80.

Iacanga, por sua vez, foi a última, entre as quatro cidades sorteadas, a adicionar flúor na água tratada.

De acordo com o responsável pelo setor de água na cidade, Antônio Alves de Almeida Filho, o processo teve início há um ano e meio.

Segundo ele, somente a Vila Brasília não conta com água fluorada. O bairro é abastecido por um poço separado daquele que serve o restante da cidade.

O bairro representa, segundo Almeida Filho, cerca de 10% da população de Iacanga.

Todo o processo de adição de flúor e de cloro na cidade é feito automaticamente. “Não é preciso pôr a mão em nada”, disse o funcionário.

Segundo ele, o tratamento da água em Iacanga é de responsabilidade da empresa Jopran. Além de controlar a quantidade de flúor e cloro usada no tratamento, a empresa faz ainda uma análise diária da qualidade da água, com acompanhamento de funcionários da prefeitura, para saber se a dosagem está correta.

Em Dois Córregos, a adição de flúor na água é feita há três anos.