10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Para Honda, marca própria surgiu com estratégia errada

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

O novo presidente da Apas, Sussumu Honda, eleito em setembro último, avalia que a entrada no Brasil das marcas próprias de supermercados ocorreu de forma errada. Agora, as grandes redes supermercadistas estão retomando esse projeto, mas, na opinião de Honda, é difícil prever o que pode acontecer quando a indústria retomar um ritmo de crescimento.

“As marcas próprias surgiram a partir de uma fase de ociosidade da indústria. Quando isso ocorre, o tempo ocioso acaba sendo utilizado para essa finalidade. Mas acredito que as estratégias em torno do lançamento dessas marcas não foram bem definidas. No início do Plano Real, por exemplo, quando a demanda estava muito grande, as marcas próprias tiveram queda, depois conseguiram se recuperar”, lembra Honda.

De acordo com ele, existem duas correntes que dividem opiniões quando o assunto é marca própria. Uma delas defende, porque acredita que isso fideliza clientes. A outra entende que a fidelização vai muito além do que simplesmente ter uma marca.

“Soubemos de casos de produtos de marca própria de qualidade duvidosa, sendo trabalhada somente a questão do preço (inferior). Hoje, novamente as grandes redes do setor supermercadista estão voltando a operar com marca própria, mas a indústria está relativamente ociosa. A grande pergunta que fica é: numa retomada de crescimento, a indústria vai priorizar as marcas próprias?”, questiona Honda.

Existe, ainda, a questão do limite de crescimento. Isso porque, segundo explica o presidente da Apas, os produtos têm um determinado ciclo de vida. O que está se conseguindo fazer, no momento, é produzir itens de marcas próprias somente de produtos básicos.

Medicamentos

Em relação à venda de medicamentos em supermercados, o presidente da Apas diz que não vê problemas na estratégia que já vem sendo utilizada por algumas grandes redes, que estão instalando farmácias dentro da loja. A colocação de remédios nas gôndolas para a venda direta ao consumidor é totalmente descartada por ele.

“A proibição é para a venda na gôndola, o que não impede que seja aberta uma farmácia dentro da loja. As grandes redes estão fazendo isso e acredito que esse é o modelo a ser seguido por outras empresas do setor”, diz Honda.

As expectativas da Apas para 2003 são comedidas. “Não estamos acreditando num grande ano. Acredito que a partir do segundo semestre a situação deve melhorar e existe a possibilidade de 2003 ser melhor que este ano. Isso porque todos os organismos internacionais estão apoiando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva”, diz Honda.

Neste ano, até o mês de outubro o setor supermercadista havia faturado cerca de 1% a menos que no mesmo período do ano passado. Mas até o final do ano, Honda acredita que será possível recuperar as perdas.

Atualmente, a Apas reúne cerca de 750 empresas (80% do total no estado), que possuem faturamento anual de R$ 24 bilhões.