A instalação definitiva do Hospital Estadual (HE) de Bauru vai mudar o panorama de atendimento médico na cidade. Além de dobrar o número de leitos públicos, a instituição vai dividir tarefas com o Hospital de Base (HB), criando uma rede hospitalar para atendimento público.
De acordo com o diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, essa mudança deve ocorrer em 2004, quando o HE já estará operando em sua plena capacidade. “No ano que vem, as mudanças deverão ser poucas. Mas, a partir de 2004, Bauru deverá caminhar para se transformar em referência em atendimento médicoâ€, afirma.
A meta da Secretaria Estadual de Saúde, de acordo com Viviani, é transformar o HB num grande centro de urgência e emergência. “O hospital vai ser qualificado para esse tipo de finalidadeâ€, enfatiza.
Com isso, a falta de vagas que hoje é um dos maiores problemas do Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central deverá ser solucionada. “As mudanças vão desafogar bastante o PSMâ€, afirma Sônia Fiocchi, secretária municipal de Saúde de Bauru.
Ela explica que o alívio também virá no que diz respeito ao atendimento clínico. “Muita gente, quando não consegue marcar consulta com os especialistas no Ambulatório de Especialidades, exige ser atendida no PSMâ€, destaca Sônia. Esse problema será solucionado com o encaminhamento para o HE.
O Hospital Estadual já está fazendo agendamento de consultas, mas ainda não está recebendo os pacientes. De acordo com Viviani, o HE não está preparado para atender as pessoas que se dirigem direto para ele. “Ele só vai atender os encaminhamentos, que deverão ser feitos nas unidades de saúde dos municípios e pronto-socorrosâ€, salienta.
No local, também não serão atendidas urgências e emergências, somente consultas com especialistas. As cirurgias deverão ser pré-agendadas, o que é chamado no jargão médico de eletivas. “Com o passar do tempo, a idéia é implantar no hospital o que há de mais moderno em termos de cirurgias e transplantes de alta complexidadeâ€, salienta Viviani.
Ele explica que o HE deverá ser referência no atendimento de urgência e emergência em pediatria, clínica médica, internações, cirurgias eletivas e cardiologia.
O hospital vai contar ainda com uma ala para tratamento de queimados. Esta deverá ser a última unidade a ser implantada, devido à sua alta complexidade.
Viviani lembra também que existe um projeto de colocar em funcionamento no HE uma estrutura para a realização de cirurgias cardíacas infantis, um tipo de atendimento pouco comum no Estado. “A idéia é oferecer um tratamento diferenciado, que se destaque pela sua necessidadeâ€, salienta.
Integração
O presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Joseph Saab, explica que a abertura do HE vai possibilitar um desafogamento do Hospital de Base (HB) também no caso dos atendimentos regionais. “Hoje tudo se concentra no HB, mas a idéia é levar para o Hospital Estadual 90% do atendimento regionalâ€, frisa.
O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que é um dos articuladores dessa mudança junto à Secretaria Estadual de Saúde, diz que, para que esse esquema funcione de forma eficaz, será preciso que haja uma integração entre o Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central e o HB. “Não adianta colocar as vaidades de cada administração em primeiro lugar. Tem que se pensar no atendimento público como um todoâ€, salienta.
Ele diz que a Direção Regional de Saúde (DIR-10) é quem vai ter que coordenar essa integração, visando otimizar o atendimento à população. “A idéia é resolver também o problema do PSM Central, que vai ficar com menos carga de atendimentoâ€, frisa.
Ele diz que o HB vai precisar se modernizar para dar conta do recado. “Se o Hospital de Base não melhorar o atendimento e as suas instalações, as pessoas vão cobrar, vão comparar sempre com o HEâ€, acredita.
Para o coordenador do Conselho Municipal de Saúde, José Pereia Martins, as mudanças que estão sendo propostas pela Secretaria Estadual de Saúde serão produtivas para a população. “A integração entre o PSM Central, o HB e o Hospital Estadual fará com que a cidade possa oferecer um atendimento adequado para a populaçãoâ€, avalia.
No entanto, ele prefere esperar até que tudo seja colocado em prática para dimensionar melhor como vai ficar o atendimento médico na cidade.