09 de julho de 2026
Articulistas

O que é feito da família?


| Tempo de leitura: 2 min

Estamos lembrando hoje de uma revista, que tivemos em mãos há cerca de 25 anos, que inseria em uma de suas principais páginas matéria em cujo título se lia “A família manda dizer: ainda estou viva!”

Mereceria isso hoje análise de alguma profundidade? Contamos até 50... E, pronto, concluímos positivamente. Faria jus, não restava dúvida, considerando que, se há um quarto de século a pergunta era válida, talvez não o fosse agora! E passamos a mexer com os parafusos mentais, colocando-os diante da realidade moderna, ou seja, de após aquele distante 1977. Recordamos, por exemplo, do que acontece hoje com a família e não acontecia naquela época, como casamentos que se desfazem em 30 dias, esterilização imediata por meios perigosos ou uso diário de “camisinhas”, duplicidade de cônjuges até com auto-consentimento de ambas as partes, marido que mata a esposa para se unir a outra mulher sem problema de desquite ou divórcio e até namorados que assassinam pai e mãe, a pauladas, para herdar suas reservas, como há poucos dias aconteceu em São Paulo.

Diante do vexatório panorama, justifica-se uma pergunta contraditória: Será que a família continua viva? Veicula a matéria da revista, auto-questionando-se, algumas hipóteses merecedoras de reflexões. Para uns, a família não deveria mais existir, por falta de sentido; para outros, talvez se acaba totalmente num futuro bem próximo, enquanto para os otimistas ela pode renascer com novo vigor e vencer as crises que impiedosamente a envolvem. Mas, há, também, felizmente, aqueles que consideram que ela jamais vai acabar, pois terá sempre à sua frente uma esperança de salvação. O que o destino lhe reserva é, então, uma profunda interrogação, dependendo ele dos rumos que para a sua caminhada lhe der a própria sociedade, já que esta, em contínua transformação, provoca mudanças de comportamento que surpreendem assustadoramente. Chega-se, por isso, à conclusão insofismável de que a família só deverá se reencontrar e ganhar potência total quando a douta sociedade também o fizer, impulsionada vigorosamente para a indissolubilidade dos vínculos que os seus alicerces têm de cimentalizar. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)