O nível de emprego industrial na região de Bauru no mês de outubro teve uma variação positiva de 0,61% sobre setembro, o que significa um acréscimo de aproximadamente 97 postos de trabalho. O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, diz que o cenário é de estabilidade, já que todas as variações verificadas durante o ano são muito pequenas.
Na comparação com outubro do ano passado, o resultado de 2001 foi melhor. Naquele mês, a variação sobre setembro foi positiva em 0,80%. Os dados são da diretoria regional do Ciesp, que abrange uma área composta por 17 municípios.
Mesmo com o resultado positivo do mês de outubro, no acumulado do ano o setor registra índice de menos 1,36%, o que representa uma redução de 220 postos de trabalho.
No mês passado e em maio, as variações no nível de emprego industrial também foram positivas sobre os meses imediatamente anteriores. Os resultados foram, respectivamente, de 0,81% e 0,52%. Nos demais meses de 2002, todos os resultados foram negativos, com números variando de menos 0,10% a menos 0,71% (a maior queda - em janeiro e julho).
De acordo com Simonelli, as variações têm sido tão pequenas que indicam um gráfico estável. “Num ano tão difícil para a economia como este, manter índices estáveis é uma coisa vista com bons olhos. Por outro lado, nenhuma variação foi significativaâ€, observa.
Sem comemorar
O diretor regional do Ciesp afirma que a indústria só poderá efetivamente comemorar resultados quando os índices começarem a ficar na faixa dos 2% positivos durante meses subseqüentes.
“Enquanto não houver variações seqüenciais de, no mínimo, 2% a 3% ao mês, não será significativo para o setor. Quando finalizarmos um ano com resultados assim, a curva do gráfico do nível de emprego na indústria da região mostrará ascendênciaâ€, analisa Simonelli.
Segundo ele, os resultados negativos verificados ao longo do ano são reflexo da pouca oferta de crédito, alta da taxa de juros e dólar elevado. “Os preços estão carregando uma pressão inflacionária em todos os setores. A situação só não está sendo pior, em termos de inflação, porque a população não tem rendaâ€, avalia Simonelli.
De acordo com o Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) do Ciesp, o índice total de emprego industrial da diretoria regional em outubro foi influenciado, principalmente, pela variação positiva do setor de Editorial e Gráfica - de 1,16% -, que é um dos setores predominantes na região por número de empregados.
O resultado só não teria sido melhor, segundo análise do Depecon, devido à variação negativa do setor de produtos alimentares - de menos 0,51% -, também predominante na região.
Estrutura enxuta
Para o economista Reinaldo Cafeo, os resultados positivos na variação de emprego por dois meses consecutivos - setembro e outubro - mostram que a indústria está “enxutaâ€.
“Se ao longo do ano houve sempre variações negativas em relação ao mês anterior, isso quer dizer que, de uma forma gradativa, a indústria foi acomodando sua estrutura dentro do nível de atividade. Então, é natural que se não existe crescimento industrial forte, há demissões, mas também chega um momento em que a estrutura fica tão enxuta que é necessário manter um mínimo plausível de empregadosâ€, observa.
No caso da região de Bauru, o economista avalia que, além desse motivo, existem dois outros fatores que colaboraram para os resultados positivos - embora pequenos - de setembro e outubro. O primeiro é a aproximação do Natal.
“Com isso, começa a aumentar a demanda por parte do comércio. Não está sendo no mesmo volume de anos anteriores, mas o aumento da demanda existeâ€, diz.
O outro fator é que, com as constantes altas do dólar, as exportações estão sendo mais significativas. “Por isso, é natural que a mão-de-obra tenha sido mantida e até contratada para fazer face a esse crescimentoâ€, analisa Cafeo.