Pirajuí - O Ministério Público do Trabalho (MPT), em Bauru, está abrindo um procedimento investigatório para apurar denúncias do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) sobre suspostas irregularidades que estariam afetando servidores municipais de Pirajuí. A informação é do procurador do trabalho Luís Henrique Rafael.
Paralelo às investigações, o procurador vai propor uma audiência de conciliação entre prefeito, servidores e sindicato. “Inicialmente vai ser uma audiência de mediação para se tentar uma composição amigável entre as partesâ€, explicou o procurador. A idéia é que essa reunião ocorra até sexta-feira próxima.
Durante as investigações, o MPT estará solicitando ao Sinserm que especifique as denúncias que poderão ser objeto de investigação e se for o caso de adoção de alguma medida por parte do MPT.
A maioria dos servidores municipais de Pirajuí está em greve desde segunda-feira e decidiu ontem pelo prosseguimento do movimento. Com exceção das atividades consideradas essenciais, a paralisação deve continuar hoje. Até o final da tarde de ontem, o prefeito Luiz Carlos Serrato (sem partido), não havia sentado para negociar com o sindicato representante da categoria, no caso o Sinserm.
De acordo com o sindicato, a intenção é levar a greve adiante até que haja um entendimentos entre prefeito e servidores quanto às reivindicações que vêm sendo feitas já há alguns meses.
Entre as reivindicações do funcionalismo municipal de Pirajuí estão reposição salarial, melhoria na qualidade da cesta básica e fim do que eles chamam de “perseguição e terrorismo no ambiente de trabalhoâ€.
No primeiro dia de greve, anteontem, o assessor jurídico da prefeitura, Jacson Lopes Leão, levou uma proposta de Serrato, para ser analisada pelos grevistas mas como havia a ressalva de que Serrato não aceitaria conversar na presença do sindicato, a proposta foi recusada. O prefeito propunha uma reunião apenas entre ele e dois representantes de cada setor.
E essa mesma proposta, de negociação sem a participação do sindicato, continuava valendo ontem, afirmou o advogado.
Ontem, grevistas e sindicalistas que contaram também com o apoio do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, voltaram a se concentrar logo de manhã na praça em frente ao prédio da prefeitura, à espera de negociações.
Uma das diretoras do Sinserm, Eliana Martins, disse que houve uma tentativa de intimidar os grevistas. “De longe eles filmaram o movimento. Isso seria uma forma de dizer: olha, nós sabemos quem está aí fazendo greveâ€.
Ao final da tarde, em assembléia, os servidores decidiram novamente manter a greve no dia de hoje e não ir às negociações sem o amparo do sindicato.
Apesar da participação na greve segundo estimativa do sindicato estar contando com 80% dos cerca de 300 funcionários, os efeitos da paralisação ainda não estão sendo sentidos de forma intensa na cidade. Para serviços essenciais como a coleta de lixo e Posto de Saúde vêm sendo mantidos atendimentos com o número mínimo de trabalhadores recomendado por lei.
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Desconto dos dias parados
O advogado Jacson Leão disse ontem que a Prefeitura Municipal de Pirajuí já está analisando a greve do ponto de vista jurídico. Segundo ele, se a paralisação for considerada ilegal, os dias parados serão descontados da folha de pagamento.
Ainda segundo o advogado da prefeitura, o prefeito Serrato está aberto a negociações e propenso a estudar parte das reivindicações, mas desde que o Sinserm não participe das conversações.