10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Nacionais e importados mesclam cestas

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Para uma grande fatia dos assalariados brasileiros, a cesta de Natal fornecida pela empresa em que trabalham - mesmo que modesta - é a única maneira de comemorar com um pouco mais de fartura as festas de final de ano. Neste ano, no entanto, diante do dólar alto e de seu reflexo em toda a cadeia produtiva, produtos importados e nacionais de marcas similares estão mesclando as cestas natalinas.

Numa loja da cidade que vende, basicamente, produtos importados, a aposta deste ano são as cestas só com produtos nacionais ou “mistas”. De acordo com o proprietário do estabelecimento, Carlos Prando, há opções a partir de R$ 15,00. “Vem um panetone nacional, um vinho do Sul e um champanhe do Sul”, explica. “Existem produtos nacionais de ótima qualidade.”

Segundo Prando, as cestas “melhores” saem na média de R$ 150,00 a R$ 200,00. De maneira esporádica, ele conta que alguns clientes preferem presentear com cestas que custam mais de R$ 1 mil, geralmente para um grande amigo ou um médico que “salvou” alguém da família.

â€œÉ uma maneira de dar um presente melhor. O cliente pede para colocar um champanhe importado, um uísque escocês, um panetone italiano”, declara Prando. E revela: “Tem gente que chega a um valor de cesta de R$ 3 mil.”

O comerciante afirma que mesmo as cestas com produtos importados não sofreram grande variação de preço, pois suas compras haviam sido fechadas antes da desvalorização do real. “Se a pessoa fez a importação e pagou à vista na época em que comprou o produto, pegou o dólar antigo”, diz Prando.

Em uma rede de supermercados, as cestas padronizadas são oferecidas a preços que variam de R$ 27,00 a R$ 35,00, mas os clientes têm a opção de escolher os itens que desejam para compor o kit. “Nós estamos deixando a critério do nosso cliente, porque tem gente querendo cesta a preço inferior”, afirma o gerente Sandro Rodrigues Pereira.

Ele conta que, no ano passado, a cesta padrão saía em torno de R$ 22,00, o que revela um acréscimo considerável nos produtos. “Os itens não mudaram. O que teve alteração foi o preço”, diz Pereira. De acordo com o gerente, as cestas mais caras que o padrão são feitas sob encomenda, mas não costumam atingir preços muito altos. “Lembro que no ano passado a gente forneceu cesta de até R$ 120,00”, ressalta.

Nacional

Nas cestas deste supermercado, as mercadorias importadas não estão sendo as preferidas na maior parte dos casos, mas também são procuradas. Segundo Pereira, mesmo nos kits mais caros a preferência do consumidor está em manter os produtos nacionais de melhor qualidade, em detrimento dos que vêm do Exterior. “A gente continua vendendo bem vinho importado, mas avulso. O cliente que tem o hábito, por mais caro que esteja o vinho, não deixa de comprar”, observa o gerente.

Em outra rede supermercadista da cidade, as opções padronizadas estão ainda mais flexíveis. “Temos oito opções, de R$ 5,00 a R$ 99,00”, diz o coordenador de loja Luciano Domingos Carrasco. A mais barata vem com três itens: panetone, vinho e champanhe, mas de marcas chamadas “populares”.

De acordo com Carrasco, as cestas mais vendidas para empresas estão saindo na média de R$ 30,00, com cerca de 12 itens. Na rede, os importados são raras exceções na composição das cestas. “Está complicado trabalhar com importado agora”, afirma.

Para o Natal deste ano, apesar do dólar e dos aumentos recorrentes nos itens de supermercado, as expectativas são muito boas, declara Carrasco. “No ano passado, faltou cesta na útlima semana antes do Natal. A previsão para este ano é vender bastante. Fiz um pedido de 1.000 cestas para este ano, mas pode ser que eu tenha de pedir mais”, afirma.

“Triplo”

Numa rede de supermercados recém-chegada à cidade, a expectativa para este final de ano é vender o “triplo” de cestas de Natal em relação ao ano passado, de acordo com a assessoria de imprensa da rede, que não revela números.

As lojas oferecem três opções de cesta. A mais barata, de R$ 17,30, tem 13 itens; a intermediária sai por R$ 30,30 e, a mais cara, por R$ 47,90. Estas duas levam 20 itens, mas a diferença está na qualidade dos produtos.

Ainda segundo a assessoria, a opção mais barata é a que tem melhor saída. Para vender o triplo, como esperado, a rede afirma se guiar por dois critérios: melhor “mix” e preços mais atraentes.