08 de julho de 2026
Geral

Estado mudará avaliação de alunos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante a abertura do seminário “A Escola dos Nossos Sonhos”, anteontem, em São Paulo, disse que vai estabelecer novos critérios de avaliação dos alunos da rede estadual de ensino. Atualmente está em vigor o modelo de progressão continuada, que prevê a aprovação automática do aluno dentro do ciclo (de 1.ª a 4.ª série, de 5.ª a 8.ª série do ensino fundamental e de 1.º a 3.º série do ensino médio).

“Não vamos voltar ao sistema antigo, que jogava para o estudante toda a responsabilidade da falência do sistema escolar. Vamos estabelecer novos critérios de avaliação, sem reprovar por reprovar. Estamos abertos ao debate, à crítica e à avaliação”, afirmou o governador ao JC.

A progressão continuada tem provocado polêmica devido às denúncias relatadas pela mídia, de que alunos de 4.ª série ainda não saberiam ler e escrever. O governador, no entanto, não informou quais serão os novos critérios de avaliação. Ele ressaltou que as mudanças dependem de uma reavaliação do sistema, que começou pelo seminário.

Para o governador, a educação é uma questão de soberania nacional. “Antigamente, quem era colonizado era o pobre, agora é quem tem menos conhecimento. A informação é o que diferencia os profissionais”, disse à platéia formada por cerca de 450 pessoas.

Alckmin foi aplaudido quando enfatizou que num momento de escassez de recursos, obras públicas podem esperar, mas educação e saúde, não. O secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, disse que a qualidade de ensino público estadual vai melhorar quando a comunidade interagir mais com a escola.

“Para se construir uma escola cidadã, é preciso que se contextualize qual é a escola dos nossos sonhos. E mais do que isso: o que cada cidadão e cada setor da sociedade pode fazer pela escola paulista”, ressaltou o secretário em seu discurso.

Projetos como o “Amigos da Escola”, que conta com colaboradores para implementar atividades extra-curriculares junto aos alunos, devem ser incentivados. Tais iniciativas são duramente criticadas por entidades de oposição, que rechaçam a substituição da mão-de-obra especializada por voluntários não qualificados.

Com o intuito de envolver setores organizados da sociedade rumo à transformação da escola, a Secretaria do Estado da Educação também convidou para o fórum representantes dos poderes Legislativo e Judiciário, de entidades assistenciais, do terceiro setor e de setores produtivos.

Até amanhã, representantes de professores, pais, alunos e da comunidade participam do evento para discutir o futuro da escola estadual e refletir como cada um pode colaborar para a transformação do ensino.

Fórum permanente

Para manter uma discussão constante sobre “a escola dos nossos sonhos” foi criado anteontem pela secretaria do Estado da Educação um fórum permanente, que terá caráter consultivo. Ele será descentralizado nas diretorias de ensino.

“Não temos a presunção de ensinar o educador a educar, mas queremos discutir a educação pública estadual para melhorá-la. Nas escolas, queremos formar a pessoa, o cidadão, que deverá estar apto ao mercado de trabalho”, discursou o secretário.

Conforme ressaltou ao JC, a parceria com o setor produtivo tem como objetivo a formação sólida dos alunos e não significa um afastamento do Estado de suas atribuições. O resultado do encontro será disposto num documento e encaminhado ao Governo do Estado.