08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Justiça divina


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Assim como um ser humano adulto precisou de cuidados, orientações e amparos especialíssimos ao passar pelos estágios da gestação, nascimento, infância, adolescência até atingir a maturidade, também a terra e a respectiva humanidade nunca prescindiram do direcionamento e tutela das forças divinas para passarem pelos diversos estágios de progresso.

Por isso mesmo é que encontramos, mesmo no período de barbárie generalizada onde vigia, como regra, a vingança, conceitos avançados e revolucionários. Não podemos olvidar que romanos antigos, como propulsores do Direito, concebiam e procuravam elevar a Justiça em nível de virtude a tal ponto que Ulpiano a definia como “a vontade constante e perpétua de dar a cada um aquilo que é seu” (Dicionário Jurídico de Plácido e Silva).

Jesus Cristo, há quase dois mil anos alçou a Justiça a nível de bem aventurança: “bem aventurados os que tem fome e sede de justiça porque serão fartos”, fixando como parâmetro o “não fazer aos outros aquilo que não quer que os outros nos façam".Em meados do século XIX, espíritos de escol, ao legarem à humanidade o Espiritismo, revelaram que a justiça faz parte da tríade de Leis Divinas a ser cumprido pelo homem de bem: “O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza (Evangelho Segundo o Espiritismo cap. 17).

Conquanto a elevação dos conceitos, o certo é que, na realidade, a humanidade registrou e registra disparidades físicas, intelectuais e morais profundamente gritantes, onde milhões de criaturas morrem na infância acometidas pelas tragédias, pela fome, pelas doenças, pelas guerras e outros tipos de violências sem terem praticado na existência física nem o bem e nem o mal. Vivem e convivem: o são e belo com o feio e estrupiado; o gênio com o ignorante; o sábio com o débil; o honesto com o corrupto; o egoísta com o altruísta; o vadio com o trabalhador; o rico com o miserável; o literato com o analfabeto...

Ante a dura realidade pergunta-se: É possível explicar a Justiça Divina como Suprema virtude?

Sim. Porém, para os que crêem somente na vida material (crentes materialistas) o futuro e a esperança na vida futura inexistem, valendo, via de regra, viver o presente, custe o que custar.

Para os que crêem na vida após a morte, mas que se vive uma só existência física, jamais podem explicar logicamente Deus como sendo a Suprema Justiça, e muito menos pai exemplar, posto que não poderá, O mesmo, dar recompensa àqueles milhões de seres que, morrendo, prematuramente, nada puderam fazer, enquanto outros labutaram a vida toda (Princípio da Equidade).

Já aqueles que crêem que a alma pode renascer várias vezes (pluralidade de existências físicas) poderão, sem subterfúgio, conceber e explicar um Criador Supremamente Justo, posto que permite ao ser imortal (alma ou espírito), adquirir méritos pelo trabalho, estudo... e ainda reparar erros nas encarnações sucessivas.

Com o devido respeito, entendemos que a crença “cega” pode levar, como de fato leva, milhões de pessoas à mais profunda perplexidade e incompreensão, quando são envolvidas por tragédias. Como exemplo marcante, as palavras textuais do líder da Igreja Universal, bispo Edir Macedo, no dia 5/9/98, pela TV Record, ao se referir ao desabamento do templo em Osasco-SP: “Se ali fosse uma discoteca, se as pessoas estivessem bebendo ou usando drogas, até teria uma explicação. Mas todos ali estavam orando. Não entendo o motivo dessa tragédia.” (José Quaglio - OAB-SP 71.930 Quallio)