A torcida corintiana ganhou ao longo dos anos o título de “fielâ€. Este título honorário foi devido ao grande esforço de esperar 22 anos para conquistar um título, mas sempre na primeira divisão. A fiel torcida suportou todo e qualquer tipo de gozação e zombaria, até que a “Macacaâ€, isto é, a Ponte Preta presenciou a festa da fiel e o fim do sofrimento. Agora é Palmeiras. Para uma equipe considerada como sendo da elite do futebol brasileiro, atinge hoje a posição mais humilhante do campeonato: a Segunda Divisão, isto é, passa a freqüentar aquele grupo feito para as equipes que não conseguem se manter no campeonato e por isso criasse uma divisão inferior para que estes pobres times possam se manter vivos. Não se sabe o que causa mais alegria nos corintianos: se é ver o Corinthians campeão ou o Palmeiras na Segundona.
O que menos importa não é ver uma equipe cair ou subir, pois isto faz parte das regras dos campeonatos futebolísticos e todos os times, sejam grandes ou pequenos, estão sujeitos a esta regra. Porém, o que chamou mais a atenção sobre este fato foram as cenas que os telejornais esportivos mostraram depois da derrota do Palmeiras e também da Portuguesa: pessoas chorando, um choro desesperado, queimando bandeiras, chutando alambrados dos estádios e os próprios colegas da torcida, ameaçando os diretores dos clubes e os técnicos das equipes, depredaram clube, sala de troféus e outros departamentos. O que nunca se viu antes é um brasileiro chorar desse jeito ou até queimar bandeiras quando o governo anuncia um novo empréstimo ao FMI ou pela volta da inflação. Ninguém reivindica quando o governo norte-americano tenta boicotar as exportações brasileiras, como está sendo com a venda de aviões militares da indústria brasileira Embraer para a força aérea colombiana ou o frango brasileiro, que é melhor do que o deles e que está sendo negociado com o Canadá. Esses boicotes geram no Brasil o desemprego e a falência de indústrias, como foi o caso da Engesa, indústria que fabricava o tanque de guerra “leão do desertoâ€, e que sofreu um boicote em 1989 por parte dos EUA, impedindo que o Brasil exportasse 702 tanques de guerra. Não suportando a quebra nos investimentos, a empresa faliu deixando 6 mil desempregados. É por essas e outras razões que o futebol é o ópio do povo. (Marcelo Carneiro - RG: 25.312.575-3)