08 de julho de 2026
Cultura

Cognomes de Bauru

Por Irineu Azevedo Bastos | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

“Princesa do Sertão”... assim a primeira dama do País, dona Darcy Vargas, carinhosamente apelidou Bauru, quando seu marido e presidente da República, Getúlio Vargas, com ela e a filha Alzirinha, visitaram nossa cidade em 1938. O mestre Gabriel Ruiz Pelegrina lembrou-se disso e alertou-me que, mesmo afável e carinhosa a denominação, ela não pegou.

Antes disso... muito antes, o poeta capivarense Rodrigues de Abreu, vida muito ligada à nossa urbe, com candura, chamou-a de “Cidade de Espantos”:

Acendi meu cigarro no toco de lenha deixado ainda aceso na estrada, no meio da cinza do último bivaque dos Bandeirantes...

E enquanto o fumo espirala, cerrando os meus olhos, fatigado do assombro de tuas visões, eu fico sonhando com o seu atordoante futuro, Cidade de Espantos!

Nossa cidade foi considerada “Capital da Noroeste”. Mas, em setembro de 1927, um evento de grande importância, ocasionalmente serviu de pretexto para consagrar um apelido novo, que perdurou durante muito tempo. Escreveu um jornalista da época, sobre o acontecimento: realizavam-se nos últimos dias desse mês, o Congresso Regional da Noroeste, promovido e convocado pelo dr. Rodrigo Romeiro, juiz de Direito da nossa Comarca, no qual as Municipalidades da Zona estabeleceram as bases da fundação do Asilo-Colônia Aimorés, para a cura da hanseníase, na época uma doença-estigma, ferrete de preconceitos, incompreensão e repugnância daqueles que não foram por ela atingidos. Até o meado do século 20 isso ocorreu com a tuberculose. Atualmente, com a aids.

Para essa importante reunião, os jornais paulistanos mandaram seus enviados especiais para cobrirem o evento. Do “Estado de São Paulo”, veio o membro da Academia Paulista de Letras, escritor Afonso Frederico Schmidt, que, numa crônica memorável pintou os traços peculiares da cidade de Bauru e de sua gente. O título desta foi “Capital da Terra Branca”.

Num interessante trabalho acadêmico, a doutora Lúcia Helena Ferraz Sant’Agos-tino, ao estudar as imagens e slogans da nossa cidade e suas correlações com o contexto social de cada época, alguns citados, rememorou outros nomes dados a Bauru: “Arraial de boca-de-sertão”, “Sentinela avançada do sertão” e “Metrópole noroestina”.

Em 1950 o poeta Euzébio Guerra fez, especialmente para ser publicado no “Diário de Bauru”, o poema “Cidade Sem Limites”, cujas últimas estrofes confessam:

Eu te admiro: Mais do que isso tudo, porque ultrapassas em cada instante as tuas fronteiras por que te arrojas para além, sempre para mais longe. Bauru, cidade sem limites. E esse epíteto que permanece até hoje para simbolizar a nossa cidade. (O autor é historiador e colaborador do Ju Machado Escritório de Arte)