“Princesa do Sertãoâ€... assim a primeira dama do País, dona Darcy Vargas, carinhosamente apelidou Bauru, quando seu marido e presidente da República, Getúlio Vargas, com ela e a filha Alzirinha, visitaram nossa cidade em 1938. O mestre Gabriel Ruiz Pelegrina lembrou-se disso e alertou-me que, mesmo afável e carinhosa a denominação, ela não pegou.
Antes disso... muito antes, o poeta capivarense Rodrigues de Abreu, vida muito ligada à nossa urbe, com candura, chamou-a de “Cidade de Espantosâ€:
Acendi meu cigarro no toco de lenha deixado ainda aceso na estrada, no meio da cinza do último bivaque dos Bandeirantes...
E enquanto o fumo espirala, cerrando os meus olhos, fatigado do assombro de tuas visões, eu fico sonhando com o seu atordoante futuro, Cidade de Espantos!
Nossa cidade foi considerada “Capital da Noroesteâ€. Mas, em setembro de 1927, um evento de grande importância, ocasionalmente serviu de pretexto para consagrar um apelido novo, que perdurou durante muito tempo. Escreveu um jornalista da época, sobre o acontecimento: realizavam-se nos últimos dias desse mês, o Congresso Regional da Noroeste, promovido e convocado pelo dr. Rodrigo Romeiro, juiz de Direito da nossa Comarca, no qual as Municipalidades da Zona estabeleceram as bases da fundação do Asilo-Colônia Aimorés, para a cura da hanseníase, na época uma doença-estigma, ferrete de preconceitos, incompreensão e repugnância daqueles que não foram por ela atingidos. Até o meado do século 20 isso ocorreu com a tuberculose. Atualmente, com a aids.
Para essa importante reunião, os jornais paulistanos mandaram seus enviados especiais para cobrirem o evento. Do “Estado de São Pauloâ€, veio o membro da Academia Paulista de Letras, escritor Afonso Frederico Schmidt, que, numa crônica memorável pintou os traços peculiares da cidade de Bauru e de sua gente. O título desta foi “Capital da Terra Brancaâ€.
Num interessante trabalho acadêmico, a doutora Lúcia Helena Ferraz Sant’Agos-tino, ao estudar as imagens e slogans da nossa cidade e suas correlações com o contexto social de cada época, alguns citados, rememorou outros nomes dados a Bauru: “Arraial de boca-de-sertãoâ€, “Sentinela avançada do sertão†e “Metrópole noroestinaâ€.
Em 1950 o poeta Euzébio Guerra fez, especialmente para ser publicado no “Diário de Bauruâ€, o poema “Cidade Sem Limitesâ€, cujas últimas estrofes confessam:
Eu te admiro: Mais do que isso tudo, porque ultrapassas em cada instante as tuas fronteiras por que te arrojas para além, sempre para mais longe. Bauru, cidade sem limites. E esse epíteto que permanece até hoje para simbolizar a nossa cidade. (O autor é historiador e colaborador do Ju Machado Escritório de Arte)