08 de julho de 2026
Geral

Liminar impede a estréia de circo

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Uma liminar concedida pelo juiz da 3.ª Vara Cível de Bauru, Gustavo Scaf de Molon, impede a estréia do Circo Estoril na cidade, que estava prevista para a noite de hoje.

A Prefeitura de Bauru ingressou ontem na Justiça com uma ação cautelar com pedido de liminar já que o circo desrespeitou a legislação municipal. Uma lei de autoria do vereador José Eduardo Ávila (PPB) proíbe no Município a instalação de circos que têm animais, conforme matéria publicada na edição de ontem do JC.

O circo está instalado em um terreno localizado na avenida Nuno de Assis, nas proximidades do Fórum. A gerência tinha planos de ficar de 15 a 20 dias em Bauru.

“O circo desrespeitou a legislação municipal e instalou-se na cidade”, enfatiza Luiz Pegoraro, titular da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos.

“Eles não podiam se instalar no Município. Funcionar, o circo não vai funcionar enquanto a liminar estiver nos dando esse direito. Se for preciso, chamamos a polícia”, acrescenta Pegoraro.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Luiz Pires, destaca que o circo está sujeito a sanções como multas e apreensão dos animais. “Infelizmente, a lei municipal não está sendo respeitada. Eles foram notificados no dia em que chegaram e já sabiam dessa proibição”, expõe Pires.

O relações públicas do Circo Estoril, Luiz Antonio Portugal, afirma que espera conseguir a cassação da liminar para que o circo possa estrear ainda hoje, às 20h30.

“Estamos aguardando determinação judicial, já que não conseguimos nenhum acordo junto à prefeitura, embora o prefeito se coloque a favor do circo, como ele mesmo disse”, expõe.

Ele afirma que se a Justiça determinar que o espetáculo não pode ser realizado, a decisão será acatada.

“São mais de 100 funcionários. Todos aqui trabalham dentro da lei. De forma alguma viemos a Bauru trazer problemas. Nós vendemos alegria e o povo tem direito à alegria. O que sabemos fazer com perfeição é isso”, observa Portugal.

“Eu acabei de ver dez crianças pedindo esmola. Isso é um problema grave. Não nossos animais que estão aqui quietinhos, bem tratados, bem alimentados”, acrescenta o relações públicas do circo.

Entre a população, nem todas as pessoas concordam com o conteúdo da lei de autoria do vereador Ávila. A idéia de ter espetáculos de circo na cidade é bem-vinda para muitos. Uma das soluções apontadas é a fiscalização, para proibir apenas os circos em que realmente há maus-tratos contra animais.

É o caso da vendedora Aryanna Samia Kurata Marin. “Eu acho que a lei tem que ser alterada. O que tem que acontecer é fiscalizar, e não proibir que tenha circo na cidade. Se houver fiscalização, não vai ter problema de maus-tratos. Circo é uma tradição. Eu acho que todo mundo tem que prestigiar o circo porque é uma coisa muito antiga”, expõe.

____________________

Fala povo

O que você acha da lei que proíbe animal em circo?

Muitas pessoas entrevistadas pelo JC acreditam que a melhor forma de solucionar o problema é fiscalizar, evitando maus-tratos contra animais.

“Eu acho que a lei deveria ser alterada porque alguns animais circenses são melhor tratados que seres humanos. Além de ser cultura, é uma coisa que existe há muito tempo. Por que vai mudar agora?”José Renato Padilha, representante comercial

“Se está ocorrendo maus-tratos aos animais, a lei tem que estar em vigor e proibir o circo. O importante é manter a lei. Os animais não podem ser maltratados.” Carlos Grandini, aposentado

“Eu acho que a lei tem que ser alterada. O que tem que acontecer é fiscalizar, e não proibir que tenha circo na cidade. Se houver fiscalização, não vai ter problema de maus-tratos. Circo é uma tradição. Eu acho que todo mundo tem que prestigiar o circo porque é uma coisa muito antiga.” Aryanna Samia Kurata Marin, vendedora

“A lei é correta, mas deveria ter uma abertura para o circo que tivesse todas as garantias, porque é muito bacana ver os animais. Desde que o circo passe por fiscalização da prefeitura, deveria ser permitido.” Geraldo Scaraboto, aposentado.

“Tudo depende de apurar e ver se realmente há maus-tratos.” Rafael Felício Covolan, designer

“Sempre teve circo na vida. Só agora que vão falar isso.” Benê Scarm, copeira

“Se tiver fiscalização, acho que pode ter circo. O que não pode é julgar uns pelos outros. Tem circo que é bem instalado.” Carlos de Souza, vendedor

“Eu acho que devem permitir os circos, desde que haja cuidado com os animais. É uma alegria para as crianças.” George Rodrigues da Silva, pedreiro

â€œÉ uma oportunidade de as crianças verem os animais diferentes. Não tem problema nenhum e nunca teve” Maria Ezilda Luiz dos Santos, dona de casa

“Essa lei é errada. Bauru tem que ter atração para o pessoal da cidade.” Eviton Ricardo, autônomo

“O circo sem animal não é circo. Eu não vejo problema com os animais.” Célia Faversani, supervisora contábil

“Eu sou a favor do circo. Eu não venho nenhuma maldade no circo.” Antônio Carlos Pires de Castro, aposentado

“Eles não deveriam radicalizar com essa lei que inclui todo mundo. Aqueles circos que tratam mal o animal deveriam ser punidos.” Ana Paula Padin, doméstica

“Há coisa muito mais importante que instalar circos em Bauru. Eu acho que tem que proibir mesmo. A lei está certa.” Wellington Luís, vendedor