Aproveitar o feriado prolongado em homenagem à Proclamação da República para descansar em casa e curtir a família. Tal passatempo, opção de lazer para muitos, não fazia parte dos planos de um grupo de homens do Clube do Jeep de Bauru.
Tanto que, quando a data chegou, eles não titubearam: pegaram seus jipes e caíram na estrada com destino à paradisíaca Serra da Canastra, em Minas Gerais, um dos mais belos pontos turísticos do País. O objetivo era um só: aventurar-se pelas paisagens para esquecer a correria e o stress do dia-a-dia.
Para isso, o hepteto formado pelos bauruenses Antonio Carlos, José Carlos, Uriel, João, Maurício, Ivan e Rafael madrugou logo na véspera do feriado para não perder tempo. Com as malas e os jipes prontos - quatro foram destacados para a missão, duas Toyotas, um Land Rover e um JPX -, na manhã de quinta-feira eles já encaravam os primeiros dos mais de 1.100 quilômetros que percorreriam no total.
Entretanto, não demorou para surgir o primeiro - e único - imprevisto da expedição. O “felizardo†foi Rafael e sua Toyota. Tudo começou quando os aventureiros, que já haviam deixado Bauru, começaram a sentir um forte cheiro de queimado. “Na verdade meu jipe estava soltando fumaça e eu não via porque era o último do comboioâ€, conta ele.
Mas, para sorte de Rafael, o freio do JPX travou e obrigou os jipeiros a pararem para solucionar o problema. “Consertamos e, na hora em que voltei para a Toyota, ela estava sangrando óleo. Quando vi a poça tive vontade de explodir o carro e achei que a viagem tinha terminado ali. Fiquei com enorme sentimento de culpa, pois havíamos organizado tudo e estávamos cheio de projetosâ€, ressalta Rafael.
Com isso, a solução foi acionar um guincho, por celular, e seguir viagem de carona no jipe de Antonio Carlos. “O mais gostoso seria ir pilotando, mas dai fui de co-piloto com meu amigo, o que também não deixou de ser uma curtiçãoâ€, enfatiza ele.
Com o problema resolvido, os aventureiros, finalmente, puderam colocar em prática a programação da expedição, que previa paradas para descanso e pouso nas seguintes cidades: em Delfinópolis, considerada a parte baixa da Canastra, e em São Roque de Minas, percorrendo uma trilha de 80 quilômetros em 10 horas.
Depois desta, os jipeiros partiram para a região alta da serra, marcada pela presença de dois dos mais importantes pontos turísticos da Canastra: a nascente do rio São Francisco e a cachoeira Casca DAnta.
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Beleza
Os jipeiros são unânimes ao explicar o porquê da escolha pela Serra da Canastra, local que já haviam visitado outras três vezes. As belezas naturais, a rica diversidade de fauna e flora e a possibilidade da prática de vários esportes são motivos mais do que suficientes para fazer os bauruenses encontrarem sempre um tempo para visitá-la.
“São mais de 150 cachoeiras, que permitem a realização das mais variadas modalidades esportivas, como rapel e rafting. Além disso, o terreno muda sempre, o que garante emoções diferentes a cada nova visitaâ€, ressalta Uriel. â€œÉ a oportunidade que temos para nos desligarmos do mundo, pois lá nem celular pega. As únicas formas de comunicação existentes estavam nas pousadas que dormimosâ€, acrescenta.
Para Antonio Carlos, não há como enjoar da Serra da Canastra em virtude dos diferentes caminhos possíveis de se trilhar. “Cada vez que a visitamos percorremos um que não conhecíamos, o que nos permite explorar várias novidadesâ€, considera. E complementa: “Lá temos a chance de estar em contato com energia pura. Basta fechar os olhos para escutar uma infinidade de sons de pássaros. É uma sensação indescritível.â€
As comidas e, principalmente, a hospitalidade do povo mineiro também são outros pontos fortes do local. “Fomos recebidos de maneira excepcional por onde passamos e isso foi um dos fatos que mais me marcou nessa expediçãoâ€, enfatiza Uriel. “A qualidade da alimentação, principalmente a das pousadas, também merece destaqueâ€, frisa ele.
A preservação das belas paisagens e da diversidade biológica, segundo os jipeiros, também é permanente na Serra da Canastra. Para isso, antes de entrar no parque os aventureiros foram submetidos a uma revista rigorosa. “Eles buscam, principalmente, bebidas alcoólicas, cuja entrada é proibida em razão da existência de muitas cachoeirasâ€, explica Uriel.
Apesar disso, o parque, na opinião do jipeiro, ainda carece de melhor infra-estrutura, especialmente de recursos humanos. “Mas a maior ameaça à serra não são os turistas, pois a maioria é consciente. O perigo são os fazendeiros, que colocam fogo nas pastagens e este acaba se alastrando para o resto do parque. O último grande incêndio atingiu 70% da áreaâ€, alerta.
Mas, entre defeitos e qualidades da Serra da Canastra, os jipeiros manifestam uma certeza: querem voltar. “Nossa idéia é visitá-la pelo menos uma vez por anoâ€, afirma Uriel. “Cada vez ela fica melhorâ€, finaliza Antonio Carlos.
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Cachoeira é atração
A Serra da Canastra possui esse nome devido à semelhança apresentada pelo imenso chapadão que, ao ser avistado de longe, parece ter a forma de uma canastra ou de um baú, local que abriga, entre outros atrativos, as nascentes do rio São Francisco, também chamado de “rio da unidade nacionalâ€.
As escarpas e paredões que circundam o chapadão permitem a formação de inúmeras corredeiras e cachoeiras de grande beleza. Entre elas, destaca-se a Casca D’Anta, já bastante conhecida e visitada. Seu nome origina-se de uma espécie de árvore conhecida popularmente como Casca de Anta (Drymis brasiliensis), que antigamente ocorria nas proximidades da cachoeira.
Com uma queda de quase 200 metros de altura, é uma das mais altas do Brasil. Na época das chuvas mais intensas, de dezembro a fevereiro, o barulho da cachoeira pode ser ouvido a quilômetros de distância, enquanto que na época da seca, de julho a setembro, o volume de águas diminui bastante.
A Casca D’Anta, para quem chega pelo lado sudoeste do parque, principalmente pela serra da Babilônia, é avistada de grande distância. Poucos se atrevem, mas mergulhar e nadar no seu poço da parte baixa é uma aventura imperdível.
A área do parque da Serra da Canastra oferece, ainda, um vasto campo de pesquisas relacionadas com a flora e a sucessão ecológica, nos campos de altitude. A pressão ambiental provocada por intensa atividade agropecuária, torna-o um dos poucos locais onde a fauna rica e diversificada do cerrado pode estar relativamente protegida.
O parque, assim, permite a preservação de habitats típicos para espécies de cerrado, a manutenção de populações pouco alteradas de espécies silvestres, inclusive algumas ameaçadas de extinção, e a possibilidade de melhor conhecimento desses fatores ambientais. (www.serradacanastra.com.br)