08 de julho de 2026
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Descubra a serra

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Aproveitar o feriado prolongado em homenagem à Proclamação da República para descansar em casa e curtir a família. Tal passatempo, opção de lazer para muitos, não fazia parte dos planos de um grupo de homens do Clube do Jeep de Bauru.

Tanto que, quando a data chegou, eles não titubearam: pegaram seus jipes e caíram na estrada com destino à paradisíaca Serra da Canastra, em Minas Gerais, um dos mais belos pontos turísticos do País. O objetivo era um só: aventurar-se pelas paisagens para esquecer a correria e o stress do dia-a-dia.

Para isso, o hepteto formado pelos bauruenses Antonio Carlos, José Carlos, Uriel, João, Maurício, Ivan e Rafael madrugou logo na véspera do feriado para não perder tempo. Com as malas e os jipes prontos - quatro foram destacados para a missão, duas Toyotas, um Land Rover e um JPX -, na manhã de quinta-feira eles já encaravam os primeiros dos mais de 1.100 quilômetros que percorreriam no total.

Entretanto, não demorou para surgir o primeiro - e único - imprevisto da expedição. O “felizardo” foi Rafael e sua Toyota. Tudo começou quando os aventureiros, que já haviam deixado Bauru, começaram a sentir um forte cheiro de queimado. “Na verdade meu jipe estava soltando fumaça e eu não via porque era o último do comboio”, conta ele.

Mas, para sorte de Rafael, o freio do JPX travou e obrigou os jipeiros a pararem para solucionar o problema. “Consertamos e, na hora em que voltei para a Toyota, ela estava sangrando óleo. Quando vi a poça tive vontade de explodir o carro e achei que a viagem tinha terminado ali. Fiquei com enorme sentimento de culpa, pois havíamos organizado tudo e estávamos cheio de projetos”, ressalta Rafael.

Com isso, a solução foi acionar um guincho, por celular, e seguir viagem de carona no jipe de Antonio Carlos. “O mais gostoso seria ir pilotando, mas dai fui de co-piloto com meu amigo, o que também não deixou de ser uma curtição”, enfatiza ele.

Com o problema resolvido, os aventureiros, finalmente, puderam colocar em prática a programação da expedição, que previa paradas para descanso e pouso nas seguintes cidades: em Delfinópolis, considerada a parte baixa da Canastra, e em São Roque de Minas, percorrendo uma trilha de 80 quilômetros em 10 horas.

Depois desta, os jipeiros partiram para a região alta da serra, marcada pela presença de dois dos mais importantes pontos turísticos da Canastra: a nascente do rio São Francisco e a cachoeira Casca DAnta.

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Beleza

Os jipeiros são unânimes ao explicar o porquê da escolha pela Serra da Canastra, local que já haviam visitado outras três vezes. As belezas naturais, a rica diversidade de fauna e flora e a possibilidade da prática de vários esportes são motivos mais do que suficientes para fazer os bauruenses encontrarem sempre um tempo para visitá-la.

“São mais de 150 cachoeiras, que permitem a realização das mais variadas modalidades esportivas, como rapel e rafting. Além disso, o terreno muda sempre, o que garante emoções diferentes a cada nova visita”, ressalta Uriel. â€œÉ a oportunidade que temos para nos desligarmos do mundo, pois lá nem celular pega. As únicas formas de comunicação existentes estavam nas pousadas que dormimos”, acrescenta.

Para Antonio Carlos, não há como enjoar da Serra da Canastra em virtude dos diferentes caminhos possíveis de se trilhar. “Cada vez que a visitamos percorremos um que não conhecíamos, o que nos permite explorar várias novidades”, considera. E complementa: “Lá temos a chance de estar em contato com energia pura. Basta fechar os olhos para escutar uma infinidade de sons de pássaros. É uma sensação indescritível.”

As comidas e, principalmente, a hospitalidade do povo mineiro também são outros pontos fortes do local. “Fomos recebidos de maneira excepcional por onde passamos e isso foi um dos fatos que mais me marcou nessa expedição”, enfatiza Uriel. “A qualidade da alimentação, principalmente a das pousadas, também merece destaque”, frisa ele.

A preservação das belas paisagens e da diversidade biológica, segundo os jipeiros, também é permanente na Serra da Canastra. Para isso, antes de entrar no parque os aventureiros foram submetidos a uma revista rigorosa. “Eles buscam, principalmente, bebidas alcoólicas, cuja entrada é proibida em razão da existência de muitas cachoeiras”, explica Uriel.

Apesar disso, o parque, na opinião do jipeiro, ainda carece de melhor infra-estrutura, especialmente de recursos humanos. “Mas a maior ameaça à serra não são os turistas, pois a maioria é consciente. O perigo são os fazendeiros, que colocam fogo nas pastagens e este acaba se alastrando para o resto do parque. O último grande incêndio atingiu 70% da área”, alerta.

Mas, entre defeitos e qualidades da Serra da Canastra, os jipeiros manifestam uma certeza: querem voltar. “Nossa idéia é visitá-la pelo menos uma vez por ano”, afirma Uriel. “Cada vez ela fica melhor”, finaliza Antonio Carlos.

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Cachoeira é atração

A Serra da Canastra possui esse nome devido à semelhança apresentada pelo imenso chapadão que, ao ser avistado de longe, parece ter a forma de uma canastra ou de um baú, local que abriga, entre outros atrativos, as nascentes do rio São Francisco, também chamado de “rio da unidade nacional”.

As escarpas e paredões que circundam o chapadão permitem a formação de inúmeras corredeiras e cachoeiras de grande beleza. Entre elas, destaca-se a Casca D’Anta, já bastante conhecida e visitada. Seu nome origina-se de uma espécie de árvore conhecida popularmente como Casca de Anta (Drymis brasiliensis), que antigamente ocorria nas proximidades da cachoeira.

Com uma queda de quase 200 metros de altura, é uma das mais altas do Brasil. Na época das chuvas mais intensas, de dezembro a fevereiro, o barulho da cachoeira pode ser ouvido a quilômetros de distância, enquanto que na época da seca, de julho a setembro, o volume de águas diminui bastante.

A Casca D’Anta, para quem chega pelo lado sudoeste do parque, principalmente pela serra da Babilônia, é avistada de grande distância. Poucos se atrevem, mas mergulhar e nadar no seu poço da parte baixa é uma aventura imperdível.

A área do parque da Serra da Canastra oferece, ainda, um vasto campo de pesquisas relacionadas com a flora e a sucessão ecológica, nos campos de altitude. A pressão ambiental provocada por intensa atividade agropecuária, torna-o um dos poucos locais onde a fauna rica e diversificada do cerrado pode estar relativamente protegida.

O parque, assim, permite a preservação de habitats típicos para espécies de cerrado, a manutenção de populações pouco alteradas de espécies silvestres, inclusive algumas ameaçadas de extinção, e a possibilidade de melhor conhecimento desses fatores ambientais. (www.serradacanastra.com.br)