11 de julho de 2026
Articulistas

Ocultismo na política


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Não teve as dimensões que se esperava a participação da juventude na recente campanha eleitoral. Tendo crescido bastante, aumentados que foram com alguns milhões de eleitores na esperançosa faixa de 16 a 18 anos etários, os jovens pareciam destinados a engrossar muito as platéias dos comícios e concentrações populares da turma de candidatos diretos à Presidência da República, como também aos demais postos seletivos e eletivos colocados à sua espontânea disposição. Essa era a suposição. Entretanto, infere-se que a meninada não se entusiasmou muito com a oportunidade, pois deixou de se fazer generosamente presente nos “meetings” programados pelas organizações político-partidárias, nos quais se mostrava sempre em quantidade inexpressiva. Deve-se isso, reconheça-se, a um fator que, não há como negar, seria suficiente para provocá-lo. Referimo-nos à educação política, inquirindo: têm-na a maioria dos nossos jovens? Não, certamente não a têm. Então, se atualmente ela quase não existe no que toca à população adulta, bem menos a possuem os quadros da despreocupada juventude, falha que se constata não somente agora, neste momento, mas desde o alvorecer do outro século, porque a nossa política é imposta rotineiramente de cima para baixo, como ardorosamente o desejam os seus velhos donos, que são os mentores e submentores partidários, aos quais não interessam que a garotada venha a se colocar por dentro dos mistérios da categoria. Conseqüentemente, a política, de uma amplitude fora de série, é simplesmente ocultada do jovem que, por tão forte motivação, vive permanentemente pobre no setor, nunca sabendo o que seja positivo nas suas entranhas, vendo, por isso, somente as suas penosas deformações. Na hora do voto, não sabe em quem votar por ignorar os estatutos partidários e as tendências de seus candidatos. Considere-se que ignora a juventude o esquema que realmente possa beneficiar a Nação e para superar a barreira precisam as nossas instituições e criar condições para que desde a adolescência sejam o futuros eleitores colocados a par da realidade, através de escolas de educação política realmente organizadas para o fim. Como se instituem educandários de intelectualidade de níveis primário e secundário para menores, crianças e adolescentes, que se criem também para eles cursos ou mesmo simples aulas de formação política, a fim de que possam concorrer para a boa administração do País através de seu voto esclarecido, inteligente, livre e, por isso, consciente. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)