08 de julho de 2026
Ser

O castigo na educação infantil


| Tempo de leitura: 2 min

Nos últimos 30 anos, o progresso na compreensão da Psicologia Infantil estimulou um estilo menos autoritário de educação.

Porém, pais e educadores parecem, muitas vezes, oscilar entre o autoritarismo e a permissividade, na busca de um novo referencial.

É importante colocar limites e transmitir às crianças mensagens claras sobre o que é correto e o que não é.

Mas deveríamos nos preocupar em primeiro lugar em desenvolver a auto-estima das crianças.

Uma criança que gosta de si mesma tende a se comportar bem.

O elogio e o incentivo ao bom comportamento revela-se mais eficaz do que as medidas punitivas.

Sem perder a dignidade

Mesmo quando corrigimos uma criança, nunca devemos fazê-la perder o senso de dignidade; o excesso de crítica, a zombaria, a desqualificação e o castigo físico jamais deveriam ser usados como medidas disciplinares.

O castigo físico leva a criança a sentir-se impotente, injustiçada e furiosa.

Ela pode até obedecer por medo, mas a sensação de humilhação provavelmente vai levá-la a pensar em se vingar ou em criar estratégias para se livrar do castigo numa próxima vez.

Além disso, bater numa criança é um estímulo para que ela também se torne violenta. O papel dos pais e educadores é ajudar a criança a se desenvolver, e é preciso lembrar que a criança é mais imatura e vulnerável do que o adulto.

Temos que adequar as nossas exigências ao nível do desenvolvimento da criança, evitando restrições excessivas para crianças muito pequenas. Deixar uma criança de 5 anos sem ver o seu programa preferido na TV por uma semana, por exemplo, é um castigo exagerado se considerarmos que o sentido do tempo é relativo. Uma semana é pouco tempo para um adulto, mas é muito tempo para uma criança pequena.

Sem perder a emoção

Quando existe empatia não repreendemos a criança por chorar ou expressar raiva. Podemos desaprovar um comportamento inadequado, mas não a emoção. Embora nem todos os comportamentos sejam aceitáveis, sentimentos e desejos têm que ser aceitos.

Muitas vezes, pais e educadores se esquecem da importância que tem o aspecto lúdico para a criança.

A pressa e a falta de paciência do adulto podem tornar conflitivas situações que seriam fonte de prazer para a criança, se fosse dado mais espaço para a brincadeira.

As crianças tendem a ser mais seguras, simpáticas e colaboradoras quando se sentem aceitas, e quando os adultos que cuidam delas possuem autoridade, colocam limites, mas dão explicações e são também comunicativos e carinhosos, respeitando as suas emoções e necessidades. (Maria Regina Corrêa Lopes Vanin, psicóloga, especialista em Terapia de Casais e Famílias e em Psicossomática. Instituto Bauruense de Psicodrama)