09 de julho de 2026
Política

Para PSTU, Lula pode ser pior que FHC

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

O governo Lula pode ser pior do que o de Fernando Henrique Cardoso. Essa é a opinião de um dos diretores do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), Bernardo Cerdeira, que esteve ontem em Bauru para fazer um debate com os militantes da região.

De acordo com ele, o novo presidente assumiu muitos compromissos visando a eleição, o que pode comprometer o cumprimento das suas promessas sociais de campanha. “Os acordos feitos pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com vistas a ganhar a eleição impedem a aplicação de qualquer política social”, destaca Cerdeira.

Para ilustrar, ele comenta que o compromisso de pagar a dívida externa não deixa brecha para investimentos na área social. “Para se ter uma idéia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) exige que o Brasil pague 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 53 bilhões, como parte da dívida. Todo o programa de Fome Zero, divulgado pelo governo envolve R$ 5 bilhões”, diz.

De acordo com ele, o Brasil manda para fora do País dez vezes mais do que gastaria para acabar com a fome de sua população. “Se o Lula não romper com o FMI e com a proposta da Mercado de Livre Comércio das Américas (Alca), vai fazer um governo pior do que o do FHC”, ressalta.

Cerdeira diz que Lula está numa situação complicada. De acordo com ele, o presidente eleito é a grande esperança de todo o povo brasileiro, que ficou animado novamente com a possibilidade de contar com um governo mais voltado para a área social. “Por outro lado, para conseguir chegar até a presidência, Lula teve que se amarrar ao empresariado e aos banqueiros, fazendo muitos acordos comprometedores”, salienta o diretor do PSTU.

Ele diz que muita gente comenta que Lula teria enganado a classe empresarial para conseguir se eleger e que, quando estivesse no comando do País, iria aplicar a política trabalhista que sempre defendeu. “Nós não acreditamos nessa possibilidade. Isso porque está tudo apontando para o contrário, ou seja, o compromisso do presidente é com o FMI e com os empresários. Até o vice dele, José de Alencar, é um empresário”, ressalta.

Seminário

A expectativa para o próximo governo e a situação internacional do Brasil vão ser os temas de um seminário do PSTU que deverá ser realizado sábado, às 9h, no auditório do Sindicato dos Professores da Rede Municipal de São Paulo, na capital.

Com o objetivo de sentir como estão as regionais do partido no interior, estão sendo realizados diversos debates com os militantes. De cada reunião, estão sendo levadas informações que deverão ser discutidas no grande encontro em São Paulo.

Cerdeira explica que o resultado do seminário será levado até o presidente eleito, com o objetivo de alertá-lo para as necessidades internas do País. “As nossas reivindicações nada mais são do que tudo aquilo que o PT defendeu a vida inteira, ou seja, um governo voltado para os trabalhadores”, afirma. Mais informações sobre o seminário pelo telefone (11) 5904-2322.