10 de julho de 2026
Saúde

Pólo hospitalar: Bauru oferece 95% dos procedimentos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Levantamento realizado pelo JC Saúde aponta que o índice de resolutividade de Bauru para problemas de saúde chega a 95%. Isso significa que hospitais e profissionais da cidade estão habilitados para resolver praticamente todos os casos de doença e incidentes, com exceção de alguns procedimentos considerados “ultra” especializados.

Para o diretor da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), Affonso Viviani, este índice é excelente. Ele explica que uma cidade do porte de Bauru dificilmente atingiria autonomia de 100% nos procedimentos hospitalares. Quando a doença é muito rara e exige estrutura muito complexa, o governo opta por centralizar a oferta do serviço.

“O governo do Estado não montaria uma estrutura complexa e cara de transplantes de coração, por exemplo, numa região onde a demanda é de apenas um ou dois pacientes a cada seis meses. É mais fácil encaminhar estes pacientes para um centro de referência onde já existe a estrutura”, exemplifica.

No último domingo, o JC nos Bairros informou que a inauguração do Hospital Estadual de Bauru (HEB) vai alavancar uma série de mudanças e adequações nas demais unidades de saúde pública da cidade. A expectativa é de que, em três anos, o município transforme-se num pólo de atendimento hospitalar.

Segundo Viviani, as adaptações deverão atingir todos os níveis de atendimento, desde a assistência básica até os procedimentos e exames mais complexos. Nesta edição, o JC Saúde traz quais serão os serviços oferecidos por cada uma destas instituições a partir do ano que vem.

O Pronto-Socorro Central (PSC) e as outras três unidades de pronto-atendimento da cidade serão as portas de entrada deste sistema para todos os outros hospitais públicos do município. “Por isso, nós temos anunciado que a reforma do PSC causa transtornos, mas trará um resultado muito positivo. Ele está sendo preparado para orientar o novo sistema”, observa Viviani.

Caberá a estas quatro unidades fazer uma “triagem” dos pacientes e conduzi-los adequadamente para os demais serviços e especialidades. Atualmente, a imensa maioria dos pacientes que precisa de internação é encaminhada ao Hospital de Base (HB).

Com a readequação do sistema, o HB deverá ser transformado num centro de atendimento de urgência e emergência e deverá centralizar todos os procedimentos de alta complexidade, como as cirurgias neurológicas e cardíacas.

As cirurgias programadas e ambulatoriais deverão ser transferidas gradativamente para o HEB. A intenção é atender gradativamente a toda a fila de espera, que varia hoje entre 60 dias e mais de um ano conforme a especialidade médica.

O hospital Manoel de Abreu, que atualmente divide algumas internações e procedimentos com o HB, vai deixar de receber estes pacientes para oferecer exclusivamente quatro tipos de atendimento. Ele continua funcionando como centro oncológico (tratamento do câncer) e de moléstias infecciosas (tuberculose e aids, principalmente) e passa a receber idosos e pacientes com problemas psiquiátricos agudos.

A Maternidade Santa Izabel vai expandir sua atuação. Além da realização de partos e cuidados neo-natais, ela centralizará todos os procedimentos ginecológicos. Muitos ainda são feitos no HB.

De acordo com Viviani, existe um cronograma para a implantação de cada uma destas adaptações. O redimensionamento inicial deve ser concluído até o final de 2003, mas existe um planejamento para todo o governo 2003/2006. Ele lembra que o governador reeleito poderá fazer substituições nos próximos meses, trocar secretários e diretores em vários níveis de gerenciamento.

“O planejamento é a espinha dorsal de um novo sistema. Ele foi feito segundo parâmetros técnicos e deve ser implementado independentemente das pessoas que ocupem os cargos administrativos”, comenta.