09 de julho de 2026
Saúde

Integração é essencial no novo sistema

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

De acordo com o diretor da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, a integração será fundamental para o bom funcionamento do novo sistema de saúde que deverá ser implantado na região com a inauguração do Hospital Estadual de Bauru (HEB).

A partir de 2003, várias unidades de saúde terão suas funções alteradas e a intenção é que elas trabalhem sempre em conjunto. Será preciso haver uma sintonia fina entre profissionais de todas as unidades.

“Quando o paciente for atendido pela Unidade de Resgate, o pronto-socorro já deverá ser informado sobre o estado dele e o tipo de lesão sofrida para definir o mais rapidamente possível para qual unidade ele deve ser conduzido”, explica.

Ele salienta que a cidade está ganhando um novo equipamento hospitalar e que a capacidade do HEB foi planejada para atender um grande volume de situações ambulatoriais, dar suporte diagnóstico e oferecer internações planejadas.

“Verificamos os pontos de estrangulamento da saúde em cada hospital e fizemos um planejamento para que a instalação dos novos serviços promova um alívio para todo o sistema. A partir daí, poderemos rever a estrutura e função de cada equipamento”, comenta.

O HEB ficará responsável por todos os procedimentos de pequena e média complexidade, além de centralizar as cirurgias programadas (eletivas). Isso vai desafogar um percentual importante de procedimentos que hoje é realizado no Hospital de Base (HB).

O HB passará a ser responsável exclusivamente pelo atendimento aos pacientes mais graves: os casos de urgência e emergência e os procedimentos de alta complexidade, como as cirurgias cardíacas, neurológicas, transplantes e hemodiálise.

O diretor clínico do HB, Samuel Fortunato, informa que o setor de queimados e a pediatria do HB serão integralmente transferidos para o HEB. “Isso vai deixar algumas alas vazias, o que deve permitir que façamos uma importante reforma na estrutura física do hospital”, comenta.

Fortunato lembra que o HB foi construído há mais de 50 anos. Na época, era perfeitamente adequado para a demanda regional. Mas a população cresceu, a medicina foi aprimorada tecnicamente e o prédio envelheceu. A diretoria iniciou reformas há aproximadamente um ano, mas as obras têm sido feitas aos poucos.

Ele explica que para reformar um setor com segurança, é preciso retirar todos os pacientes e fechar uma ala inteira. A maioria das alas que tinham até seis leitos já foram reformadas. Porém, alguns setores comportam 12 ou mais pacientes num mesmo ambiente. Para reformá-los seria preciso fechar toda a ala e desativar estes leitos. Se o número de vagas já é insuficiente, isso fica impossível.

“Com a transferência de alguns serviços para o HEB, poderemos reformar estes setores, transferir os pacientes para estes locais e promover as reformas em outros”, afirma.

Questionado sobre a abertura de novas vagas, ele nega. “Porque hoje nós trabalhamos no limite, com dez pacientes num único quarto. A tendência é que o redimensionamento até reduza o número de leitos”, defende.

Atualmente, o HB dispõe de 280 leitos, sendo 35 em unidades de terapia intensiva (UTI). São 15 vaga na UTI adulto, 12 na UTI pós-operatória e oito na UTI pediátrica. Cerca de 90% dos procedimentos são realizados via Sistema Único de Saúde (SUS). Os outros 10% são destinados a pacientes inscritos em outros convênios de saúde.

Represamento

Para Viviani, a inauguração do HEB vai resolver um problema que se arrasta há anos na saúde da região: a demanda reprimida para procedimentos eletivos. Centralizador da maioria dos procedimentos, o HB tem que priorizar os atendimentos de urgência e isso gera uma grande fila de espera para aquelas cirurgias que podem ser programadas.

Na opinião dele, o que ocorre hoje é um represamento. A vazão é pequena e o registro de casos novos é constante, o que causa o acúmulo de pacientes. Em algumas especialidades, a espera chega a ultrapassar um ano.

Toda esta demanda de procedimentos eletivos deverá ser transferida gradativamente para o HEB. Construído com 12 salas cirúrgicas e 350 leitos, ele deve ser um dos maiores centros do Estado em procedimentos cirúrgicos ambulatoriais, na opinião de Viviani.

“Inicialmente, vamos manter parte dos procedimentos eletivos no HB e no HEB ao mesmo tempo. Isso vai multiplicar nossa capacidade resolutiva por três. Em alguns meses, o número de casos novos deve ser menor que esta capacidade e poderemos chegar a um equilíbrio”, ressalta Viviani.

O diretor da DIR-10 salienta que muitas pessoas chegaram a pensar que a inauguração do HEB significaria o fechamento do HB. “Muito pelo contrário. Vamos desafogar o HB e buscar um novo perfil para ele, reformando e readequando-o a novas funções”, completa.

Manoel de Abreu

O Hospital Manoel de Abreu conta hoje com 130 leitos distribuídos entre o atendimento oncológico e geral. A partir da inauguração do Hospital Estadual de Bauru (HEB), ele deverá ser redimensionado e redividido em quatro setores, segundo o diretor clínico do Hospital de Base, Samuel Fortunato.

Ele afirma que o Manoel de Abreu continuará centralizando o atendimento oncológico. A unidade dispõe de toda a infra-estrutura necessária para isto, incluindo profissionais e equipamentos.

A segunda função do hospital é centralizar o atendimento às moléstias infecciosas. Pacientes com tuberculose e aids já são internados no hospital. Com a reestruturação, ele deverá abrigar todos os casos neste sentido.

“Paralelamente, o Manoel de Abreu deverá ser transformado em hospital do idoso. Um dos pavilhões será transformado em ambulatório e enfermaria para idosos e haverá equipes especializadas em ‘home care’ (atendimento domiciliar”, conta.

Por fim, o hospital vai ganhar uma ala para atendimento psiquiátrico agudo, com internação de até 15 dias, em média. Neste sentido, o hospital deverá atender os casos de surtos psicóticos agudos e pacientes usuários de drogas ou álcool durante o período inicial de desintoxicação. Nos primeiros dias sem a química, o adicto pode sofrer com a síndrome de abstinência, que exige internação pelo risco de haver convulsões e paradas cardiorrespiratórias.