Não teve jeito. Após vários protestos - da Central Única dos Trabalhadores (CUT) a estudantes, passando pelas empregadas domésticas - a tarifa de ônibus circular estará 20% mais cara a partir de amanhã. O bauruense passará a pagar R$ 1,20 por viagem, já que o passe-integração ainda não saiu do papel.
Para quem usa até quatro ônibus diariamente para ir e voltar do trabalho, o reajuste equivale a R$ 0,80 a menos no bolso todos os dias. Ao fim de um mês, o aumento equivale a cerca de R$ 15,00 a menos no orçamento da casa.
A única saída contra o aumento, pelo menos por algum tempo, seria “estocar†passes de ônibus em casa, mas essa é uma tarefa difícil, já que o uso do passe é diário e não há dinheiro sobrando no bolso do trabalhador para comprar bilhetes a mais na tarifa antiga.
A doméstica Viviane Aparecida Souza Silva, 23 anos, mora no Jardim Bela Vitsa e trabalha no Núcleo José Regino. Diariamente, são quatro passes para ir ao trabalho e voltar para casa. Ela, que é divorciada, afirma que terá de tomar medidas drásticas para continuar usando o ônibus. “Vou ter que tirar da pensão dos meninos para pagar o ônibus. Vai ser difícilâ€, lamenta.
A secretária Magali Costa, 46 anos, também reclama da alta na tarifa sem que haja benefícios para os usuários. Ela costuma ir diariamente, a trabalho, para o Centro da cidade. “A empresa me paga o passe, mas eu sou totalmente contra o aumento. Bauru não tem condições para isso, não: pegar ônibus daqui até ali e gastar R$ 1,20?. Sou contra mesmoâ€, afirma.
O vale-transporte também “salva†o ajudante de padeiro Elói Julião, 45 anos, que diz não saber de onde tirar dinheiro se tivesse de pagar os dois passes que usa todos os dias. “Pego ônibus quase todos os dias. Aumentando R$ 0,20, eu vou gastar R$ 0,40 a mais por dia, porque é ida e volta. Vai aumentar uns R$ 10,00 por mês, mas ainda bem que no meu trabalho eu recebo passe, senão não tinha jeitoâ€, diz Julião.
Para o pedreiro Asael Pereira, 33 anos, que usa quatro passes por dia, não há como guardar passes a R$ 1,00 para usar no decorrer do próximo mês. “Gasto quatro passes por dia: dois para ir trabalhar dois para voltar. Não dá para guardar, eu tenho que usarâ€, diz. E completa: “Se não aumentar o salário não vai ter jeito, porque metade do passe é descontado.â€
A mulher de Pereira, a dona de casa Leila Boareto, 25 anos, conta que os poucos passes que sobram do marido ela utiliza para ir ao Centro da cidade ou ir ao médico. “Agora vai ficar caro mesmoâ€, concorda.
A vendedora Meire Álvares Preissler, 20 anos, lamenta que o reajuste na tarifa chegue ao mesmo tempo em que outros aumentos, como o do gás de cozinha e dos alimentos. “Vai dar muita diferença, ainda mais como tudo está aumentando agora. Não tem jeito, vou ter que gastar mais mesmoâ€, diz. E conclui: “Aumenta tudo para a gente, menos o salário.â€
Justificativa
Pelo lado da Prefeitura Municipal, não havia como adiar mais o reajuste da tarifa dos ônibus circulares, já que as empresas concessionárias estariam arcando com prejuízo tendo em vista a alta dos insumos, como o óleo diesel.
Ainda segundo a prefeitura informou ao JC, a tarifa em Bauru é uma das menores do estado de São Paulo em comparação com cidades de porte semelhante, pois nos últimos quatro anos, o passe teve um reajuste de 11%.
Quanto ao passe-integração, uma das reivindicações mais urgentes da população, a promessa é de que o sistema comece a ser implantado no início do próximo ano.