10 de julho de 2026
Articulistas

Receita contra a fome


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O próximo Governo Federal, que durante a campanha eleitoral foi persuasivo na afirmação de que o combate à fome seria a sua principal meta, não perdeu de vista o alvo programado. Ainda no final de semana, o presidente eleito movimentou bastante a pauta e, naturalmente consciente de que o cumprimento da promessa lhe será bem difícil, não titubeou em dar uma de cristão de igreja e ir à Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil para invocar a colaboração dos prelados, quer-se dizer, rogar a melhor ajuda de Deus para atingir o desiderato. O caminho se revela absolutamente correto porque só mesmo com a ajuda divina se poderá vir a alcançar o milagre da expulsão da fome que grita na barriga dos milhões de brasileiros, que circulam por aí, sem ter com que calçar o estômago, porque não podem comprar. E bem menos poderão fazê-lo a partir de agora face ao novo reajuste da cesta básica, com seu preço situado além do valor do salário mínimo nacional. A fome é um fato no País, não sendo ignorada pelos produtores e vendedores de alimentos de primeira necessidade, os quais, no entanto, estipulam a seu talante as respectivas tabelas, sem que os poderes públicos tenham possibilidades legais de segurar o balão e, por isso, tem a opinião pública dúvidas quanto ao extermínio do gravíssimo problema com o uso apenas da boa vontade dos homens que a possuam aqui na terra... Então, vão ter os pretensos consumidores de contar com a cooperação dos céus e, conseqüentemente, talvez não sejam as orações dos bispos suficientes para demover lavradores, industriais e comerciantes de seus inveterados apegos aos preços altos. Os próprios esfomeados terão de fazer alguma coisa para ajudar na empreitada uma vez se achem sem condições de viver desprovidos dos frutos dos pomares e sítios, insistentemente reclamados não apenas por adultos, mas por seus filhos, que choram à beira dos fogões, já não de lenha ou carvão, mas de gravetos tristemente magrelos, os quais, para “conforto” de seus usuários, nem fumaça emitem nos pequenos recintos. Já se percebe no cenário outro problema: a necessidade do novo presidente dar também uma de médico-nutricionista e passar aos desnutridos a receita de como escapar da fome... É a nossa opinião. (O autor, Nadyr Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)