O preço mínimo da cesta básica verificado em Bauru em novembro foi de R$ 187,05. Com esse resultado, a alta sobre outubro foi de 11,90%, a maior registrada em um único mês desde que o Data-ITE começou a fazer esse levantamento, em julho de 1999. O valor de novembro também é o maior - novo recorde, sendo o quarto consecutivo - desde o início da pesquisa.
De acordo com o professor, economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo Cafeo, na comparação com novembro do ano passado o valor mínimo da cesta básica deste ano (novembro) é maior em 27,20%.
A disparada do mês passado fez com que o valor se aproximasse do salário mínimo do trabalhador brasileiro, que é de R$ 200,00. No ano de 2002, o índice acumulado chega a 30,21%. O grupo alimentação que compõe a cesta básica acumulou variação ainda maior desde janeiro deste ano: 35,29%.
“Pela primeira vez desde que fazemos a pesquisa houve uma alta tão acentuada em um único mês. O grupo alimentação teve o absurdo aumento de 14,01% em novembro, na comparação com outubro deste ano. E é importante ressaltar que esse grupo tem peso superior a 70% do total da cesta básicaâ€, observa Cafeo, que realiza o levantamento do Data-ITE juntamente com o professor Herman Vos.
Variações
Em outubro, quando o valor mínimo da cesta em Bauru ficou em R$ 167,16, o aumento sobre o mês anterior foi de 4,95% (já que em setembro o valor foi de R$ 159,27). Já em setembro, a variação sobre agosto foi de apenas 0,9%.
Voltando um pouco mais, em maio deste ano chegou a haver queda sobre o mês anterior: menos 1,46%. No primeiro mês de 2002, a variação sobre dezembro de 2001 foi de 1,72%. Esses números dão uma noção ainda mais clara para o consumidor da alta demasiada registrada em novembro.
Pela metodologia utilizada pelo Data-ITE (departamento ligado à Instituição Toledo de Ensino - ITE), que segue os critérios do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para comprar uma cesta básica no preço mínimo apontado pela pesquisa o consumidor terá que adquirir os produtos mais baratos dos supermercados localizados em todas as regiões da cidade.
De acordo com Cafeo, em novembro os grupos alimentação e limpeza doméstica tiveram altas de preços sobre o mês anterior, sendo 14,01% e 11,45%, respectivamente. O de alimentação fechou novembro em R$ 142,10 e, o de limpeza, em R$ 27,52. O grupo higiene pessoal teve queda de 2,25%, fechando o mês em R$ 17,42.
Aumentos
No tocante às altas de preços, que são tomadas sempre pelo preço mínimo, sem considerar o peso sobre o total da cesta, os aumentos mais significativos de novembro em relação a outubro foram nos seguintes produtos: ovos (40,7%), cebola (40%), frango resfriado inteiro (32%), farinha de trigo (31,5%), açúcar (19,7%), café (18,9%), carne de primeira (16,4%), arroz (15,2%), óleo de soja (12,5%) e batata (11,4%).
“Se de um lado temos a contaminação da elevação do dólar nos preços, de outro observa-se um certo oportunismo de empresários, na medida em que alguns aumentos são injustificáveis. Infelizmente, esses aumentos penalizam sempre a camada mais pobre da população, uma vez que sua renda é praticamente comprometida com o consumo dos itens que compõem a cesta básicaâ€, diz Cafeo.
Pesquisar para evitar as discrepâncias de preços é a única saída. “Pesquisar e buscar itens substitutos mais baratos devem ser os caminhos para quem quer manter o consumo dos mesmos produtos e quantidades da cesta básicaâ€, orienta o economista.
De acordo com Cafeo, a região da cidade (leia gráfico nesta página) que em novembro apresentou o valor mais alto da cesta básica foi a Sul, com R$ 214,97 (7,48% acima do salário mínimo). A região central teve o menor valor: R$ 199,03. Os demais resultados verificados por região foram: Norte, R$ 203,69; Oeste, com R$ 204,52 e Leste, R$ 209,62.
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Inflação
De acordo com o professor, economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo Cafeo, o aumento histórico de 11,90% no valor da cesta básica verificado em novembro foi reflexo direto das recentes altas de produtos alimentícios, sendo a maioria deles de primeira necessidade.
“O movimento das donas de casa e do público consumidor em geral, no sentido de evitar a compra de supérfluos e substituir itens mais caros por outros de marcas similares, é a única coisa que pode fazer a indústria pisar no freio e repensar os constantes repasses de preços que vêm sendo feitos nos últimos mesesâ€, afirma Cafeo.
Com a alta dos preços, os brasileiros voltaram a temer o dragão da inflação. Previsões feitas por economistas, instituições financeiras e membros do Conselho Consultivo do IPCA (índice nacional de preços ao consumidor amplo) indicam que o IPCA de 2002 romperá o limite dos dois dígitos neste ano.
A estimativa é de que esse índice chegue a 10% em novembro (o cálculo ainda não foi fechado) e a 11% em dezembro. Em outubro, a marca foi de 8,37%. No primeiro mês do ano, o índice foi de 4,80%, e depois disso, não parou mais de crescer.
O IPCA é o índice utilizado pelo Banco Central para determinar a meta de inflação.