A idéia do sanduíche Bauru partiu de um livro dirigido às mães de “primeira viagemâ€, que trazia dicas sobre as refeições ideais para os bebês, e era distribuído em cartórios de registro civil. A novidade consta nos acervos do Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo e do suplemento do JC Bauru Ilustrado, que veicula aspectos históricos do município.
A informação foi transmitida ao diretor do instituto e editor do suplemento, Luciano Dias Pires, pelo ex-prefeito de São Paulo, Wladimir de Toledo Piza. Ele foi amigo do criador do lanche, Casimiro Pinto Neto, que morreu há 19 anos, no dia 2 de dezembro.
De acordo com o relato, o idealizador do sanduíche Bauru, após ler o “Livro das Mãezinhasâ€, passou pelo Ponto Chic, ponto de encontro paulistano dos jovens entre as décadas de 30 a 50, e pediu um lanche novo criado por ele. A formulação atendia elementos como proteína, gordura, sais minerais e vitaminas, sem elevar o valor calórico da alimentação.
“Vou lançar um sanduíche novo com pão sem miolo, carne - de preferência rosbife -, queijo derretido, tomate e picles de pepinoâ€, teria dito ele, segundo conta Piza. A combinação agradou e entrou no cardápio do bar. Como Casimiro era conhecido por Bauru, o apelido foi transferido para o lanche.
“Seu sanduíche não ficou somente em São Paulo, no largo do Paissandu, onde funcionava o Ponto Chic. Passou a ser uma pedida em todo o Brasil e atravessou fronteiras, pois figura no cardápio em muitos paísesâ€, conclui o amigo, que era pediatra na época da publicação do livro.
A informação foi confirmada pela prima-irmã do criador do Bauru, Marilú Torres. Segundo ela, Casimiro chegou ao bar com fome e ditou a receita depois de ler um livreto da Secretaria da Educação e Saúde sobre alimentação para crianças.
“Quando ele já estava comendo o sanduíche, Antonio Boccini Jr - o Quico - pegou um pedaço e gostou. Chamou o garçom, um russo chamado Alex, e também pediu o lanche. O Bauru, sem maiores pretensões, acabou criando um marketing do Interior que não tem igualâ€, comenta ela.
• Serviço
Outros detalhes históricos podem ser obtidos através do Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo, localizado à rua Capitão Gomes Duarte, 13-41. Telefone (14) 234-2508.
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Histórico
Casimiro Pinto Neto morreu no dia 2 de dezembro de 1983, após passar dois anos doente devido a um derrame cerebral. Até 1981 ele trabalhou como diretor financeiro da TV Record.
Dois anos após ter se iniciado na segmento radiofônico e ser o primeiro repórter Esso da Capital, ele assumiu a direção comercial da Rádio Panamericana, em 1945. Antes disto, ele exercia a advocacia.
Em 1938, foi auxiliar de gabinete do então secretário de Justiça, César Lacerda de Vergueiro, e nomeado titular do cartório de paz da Vila Maria, em São Paulo. Já de 1939 a 1941 foi oficial de gabinete do governador Adhemar de Barros.
Casimiro também participou da Revolução Constitucionalista, integrando o Batalhão 14 de Julho da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde se formou.
Porém, viveu toda a sua infância e juventude em Bauru. Estudou no Colégio São José e durante três anos cursou o ginásio na escola estadual Guedes de Azevedo.