09 de julho de 2026
Turismo

Eu Estive lá: Grécia e Sul da Itália

Dulce Montenegro Turtelli
| Tempo de leitura: 6 min

A viagem que sempre desejei fazer pelo Sul da Itália e Grécia, se tornou realidade! Não encontrando companhia, resolvi ir sozinha para uma excursão que começaria em Roma.

Tudo acertado com a agência de viagem: a ida para São Paulo (Expresso de Prata), o ônibus da Barra Funda para Guarulhos, e, enfim, o vôo da TAP que me levaria para Roma com conexão para Lisboa.

Graças à dedicação e à organização de minha amiga Ana Paula, a insegurança de viajar sozinha foi se desfazendo à medida em que a viagem prosseguia.

Em Lisboa me esperava, no aeroporto, uma Van da TAP, que levou a mim e outros passageiros, que iam para Roma, para os trâmites legais de entrada na União Européia.

A apresentação do passaporte agora só é feita no aeroporto de entrada na Europa, onde é carimbado, dando livre acesso aos demais países da União Européia. O vôo Lisboa-Roma leva pouco mais que duas horas. A diferença de horário de Portugal para o Brasil é de quatro horas adiantado; da Itália, cinco horas (no horário de verão europeu, em outubro).

Devido à limitação de tráfego de ônibus no centro da cidade de Roma, os excursionistas hospedam-se em geral em hotéis distantes do centro, às vezes até 40 minutos.

Na noite do dia da chegada reuniu-se o grupo que iria participar da excursão: argentinos, peruanos, mexicanos, equatorianos e três brasileiros (eu e duas gaúchas).

Na manhã seguinte fizemos um passeio pela cidade eterna, começando pelo Vaticano. Os ônibus de turismo nos deixam em um estacionamento subterrâneo, de onde uma esteira rolante leva os passageiros até a praça onde se localiza a Basílica de São Pedro (em reforma).

Poder estar mais uma vez diante da obra-prima de Michelangelo: a Pietà é um privilégio. A Capela Sixtina, com os afrescos deste mestre do Renascimento, pintor e escultor, me causou uma emoção muito forte. Na cidade do Vaticano encontram-se turistas do mundo inteiro. Camelôs, barracas de lanche, lanchonetes que servem refeições ligeiras, tudo muito caro comparado com os preços no Brasil. O euro vale pouco mais que o dólar (100 dólares = 97 euros).

Os demais pontos turísticos de Roma só foram vistos de passagem. Em outras ocasiões em que lá estive, já tinha podido visitar o Coliseu, a Praça Navona, Fontana de Trevi, Praça Espanha. Atualmente para se ir a esses lugares somente valendo-se dos ônibus urbanos ou metrô.

À noite, fomos jantar no bairro Trastevere. O restaurante tem um cardápio variado de “pastas” e outros pratos característicos. As mesas colocadas ao ar livre e a atmosfera romana são um convite ao sonho.

Pompéia, a cidade soterrada

Na manhã seguinte, parti com meus companheiros para a Grécia. Viajando rumo ao Sul, passamos por Nápoles, o maior porto da Itália. Paramos em Pompéia (paga-se 10 euros para se visitar as ruínas dessa cidade soterrada pelas cinzas do Vesúvio). Essa destruição deu-se em 79 d.C., mas as ruínas só foram encontradas no século XVIII. Para atender os turistas há uma pequena cidade bem próxima com toda infra-estrutura necessária: restaurantes, lanchonetes, hotéis e, claro, barracas vendendo de tudo. É impressionante ver o que sobrou da cidade onde o romanos mais abastados passavam férias e se divertiam com jogos e lutas de gladiadores. Em três dias de fúria do vulcão tudo ficou soterrado. Sobraram alguns corpos humanos e de animais petrificados.

Após o almoço seguimos para o porto de Bari, embarcando às 21h para a Grécia. O navio é muito confortável. Os camarotes não deixam nada a desejar. O restaurante, um luxo. Ainda conta-se com discoteca, sala de jogos, de TV, free shop (muito caro) e serviço de câmbio (sem comissão). Os ônibus ficam no porão. Leva-se para o camarote apenas o necessário para passar a noite. A tripulação é formada por gregos gentis e atenciosos.

O barco navega pela costa do mar Jônico bem próximo às encantadoras ilhas. É impressionante a paisagem, sobretudo nas primeiras horas da manhã. Ventava muito no convés, estava frio, mas isso não foi obstáculo para que apreciássemos toda aquela maravilha.

Em Igumenitsa, cidade ao norte da Grécia, aconteceu a primeira parada para o embarque de mais turistas.

Olímpia, o Jônico e o Egeu

Desembarcamos no porto de Patras e seguimos de ônibus para Olímpia, a cidade onde foram realizados os primeiros Jogos Olímpicos da Antigüidade. Visitamos o museu e o recinto arqueológico cujas ruínas nos mostram a grandiosidade dos esportes daquela época (ainda há inúmeras colunas em pé).

Partimos para Naupia, povoado de pescadores e turismo à beira-mar. Na manhã seguinte estávamos em Micenas e depois Corinto onde está o famoso canal que une os mares Jônico e Egeu. Nessa cidade milenar viveu o apóstolo Paulo, onde escreveu as cartas aos Coríntios, como consta no Novo Testamento.

Atenas, Acrópolis e Partenon

Chegamos em Atenas. Nos alojamos e após o almoço fizemos uma visita aos principais pontos da cidade: Palácio Presidencial, Estádio Panatenal (onde se realizaram os primeiros Jogos Olímpicos Modernos) e finalizamos no recinto de Acrópolis e Partenon.

Com o dia livre, eu e alguns companheiros da excursão andamos pelo centro de Atenas, visitamos o museu e a catedral bizantinos. O trânsito em Atenas é muito disciplinado. Seus três milhões de habitantes convivem totalmente com o moderno e o antigo.

Os ônibus não têm cobrador. Você compra o bilhete nos inúmeros postos de venda que estão próximos às paradas. Ao entrar no coletivo, o bilhete é picotado e só é mostrado se passa algum fiscal. Todos pagam. Não tendo dinheiro e nem passes nos ônibus, não há assalto. Nos pontos estão afixados mapas com o percurso da linha e o número do ônibus correspondente.

À noite visitamos o bairro Plaka. Entre inúmeras tabernas e pequenos restaurantes escolhemos um bastante simpático. Tivemos um jantar farto, regado com muito vinho. Na apresentação do show de danças folclóricas, o público era chamado a participar (claro que participei).

Depois de Atenas: Delfos e Kalambaka. Em Delfos, parada para o almoço e uma bela visão do conjunto arqueológico do Golfo de Corinto. Em uma pequena cidade no centro da região de Meteoras há uma área impressionante por suas paisagens e seus Mosteiros, declarada patrimônio da humanidade pela Unesco. Passamos depois por Netsovo, Ioannina, Igumenitsa e embarcamos para Bari.

Arquitetura peculiar

No Sul da Itália, a visita a Alberobello, povoado com uma arquitetura muito peculiar. As casas são todas brancas com coberturas de pedras.

Chegada à noite em Roma. Um agradável encontro com meu filho Armando, tornou a cidade mais agradável. Armando estava há 40 dias viajando pela Espanha e Itália. Marcamos o encontro no hotel onde ele foi me buscar para terminarmos nossa viagem.

Foi um dia inteiro para rever os lugares mais badalados. O pequeno hotel onde nos hospedamos, bem no centro de Roma, muito facilitou nossos passeios. No dia seguinte pegamos o trem no terminal ferroviário, o maior da Europa, de onde partem trens para todos os países europeus. Chegamos ao aeroporto Leonardo Da Vinci, onde embarcamos para o Brasil, eu via Lisboa, e ele via Madri e Miami.

Cortesia da TAP

Em Lisboa, a TAP me ofereceu, como cortesia, uma noite em hotel cinco estrelas, com direito a boas-vindas pela TV do quarto. Embarquei no dia seguinte para São Paulo. (Dulce Montenegro Turtelli é licenciada em Artes Plásticas)