Uma apresentação de um artista, no Calçadão da Batista de Carvalho, virou caso de polícia anteontem à tarde, depois da ação de seguranças, que impediram o número, uma vez que a lei que regulamenta o local exigir autorização de quem se propõe a atividades desta natureza no logradouro. Houve troca de acusações e um BO na polícia.
O desentendimento começou quando o artista Paulo Henrique Custódio, de Indiaporã (SP), que faz o número da estátua viva, foi convidado a se retirar do Calçadão pelos seguranças porque não dispunha de autorização da prefeitura nem da Associação da Empresas do Calçadão de Bauru.
A medida revoltou alguns pedestres que assistiam à apresentação e saíram em sua defesa. “Se fosse um ladrão, ninguém falava nada, mas como é um trabalhador, não pode ficar aquiâ€, exclamou Maria Aparecida Garcia.
Já Edgar Pereira de Oliveira, que teve seu documento de identidade apreendido pela Polícia Militar, diz ter sido agredido. “A rua é pública e ele pode exercer sua atividade aqui. Cerca de 300 pessoas presenciaram o tumultoâ€, conta, antes de ir à delegacia registrar um Boletim de Ocorrência.
Por sua vez, o segurança Renato Ramos disse ter tratado com educação o artista. “Apenas o informei das exigências burocráticas, mas em nenhum momento o ofendi ou fui ofendido por ele. Entretanto, sofri até ameaças por parte de populares que tinham interesse em incitar a desordem no Calçadão. Nosso papel foi o de comunicar regrasâ€, explicou.
De acordo com o presidente da Associação das Empresas do Calçadão, Francisco Alberto Franco Bernardes, a Lei 3.669, de dezembro de 1993, dá destinação especial ao Calçadão, das quadras 1 a 7.
Por essa razão, apresentações artísticas são permitidas desde que contem com o aval da entidade ou da prefeitura. A informação foi confirmada pela secretária municipal do Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano, para quem a emissão de autorização é um procedimento rápido.
“Não queremos inibir a cultura popular e o artista, mas temos que disciplinar o local para conservá-lo atraente aos consumidores. Entendemos a dificuldade das pessoas, mas não podemos abrir mão de algumas regrasâ€, ressalta.
Devido à confusão, o número foi transferido para a Praça Rui Barbosa. â€œÉ a primeira vez que passo por Bauru para realizar um trabalho que exerço há dez anos. Espero continuar por aqui, provisoriamenteâ€, conclui o artista.