08 de julho de 2026
Regional

Mulher é degolada em Santa Cruz

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Santa Cruz do Rio Pardo - A despontadeira Ana Paula da Silva, 23 anos, foi assassinada anteontem de madrugada, supostamente por motivos passionais, em Santa Cruz do Rio Pardo. O principal suspeito, o operador de máquinas Adilson Benedito Leite, 27 anos, cortou o pescoço da vítima e jogou o corpo no rio. Ele confessou o crime e está preso.

O corpo foi encontrado ontem, por volta das 9h30, por mergulhadores do Corpo de Bombeiros, cerca de 700 metros abaixo do local, onde supostamente teria sido jogado. Ele foi encaminhado para exame necroscópico, em Ourinhos, e deveria ser velado ontem mesmo.

Pelas informações da polícia, Leite passou na casa de Ana Paula por volta das 21h. De lá, eles saíram para comer um lanche e conversar. Duas horas e meia depois, ela estava morta.

Com uma faca, Leite golpeou o pescoço da mulher e o cortou “de fora-a-fora”, segundo descrição da polícia. Ana Paula só não teve a cabeça separada do corpo porque esta ficou presa pela espinha dorsal.

O crime aconteceu sobre uma ponte, que fica no bairro Figueira de São Roque. Depois de morta, Ana Paula foi jogada no rio e o corpo só foi localizado ontem de manhã, pelo Corpo de Bombeiros.

No local do crime, a polícia encontrou um par de sandálias, brinco e muito cabelo. Esses vestígios foram os elementos que deram início às investigações.

Anteontem, por volta das 8h30, a delegada Isabel de Oliveira Bertoldo, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), recebeu a notícia de que a ponte sobre o rio Pardo poderia ter sido palco de um homicídio. Ela foi até lá e pessoas que moram próximas ao local, informaram que, além das sandálias, brinco e cabelos, havia muito sangue sobre a ponte.

Depois de ter comparecido pessoalmente ao local, a delegada Isabel entrou em contato com as delegacias da região procurando saber se algum desaparecimento havia sido registrado nas últimas horas.

Mesmo sem uma resposta afirmativa, uma equipe do Corpo de Bombeiros passou a fazer buscas no rio, na tentativa de localizar o suposto corpo. Por volta das 17h, parentes e amigos da vítima foram até a delegacia de Santa Cruz registrar o desaparecimento dela.

Confrontando as características apresentadas pela família com as informações obtidas pela polícia no local do crime, a delegada concluiu que a mulher que havia desaparecido era a mesma que teria sido assassinada sobre a ponte.

De acordo com o relato da família, Ana Paula havia saído de casa na noite de terça-feira, por volta das 21h, em companhia de Leite, e que até então não havia retornado para casa.

A delegada fez uma diligência no local de trabalho do principal suspeito e o levou até a delegacia. Lá, segundo a escrivã Eliane Simão Peres Honorato, ele confessou o crime e foi preso em flagrante sob acusação de homicídio.

A faca usada no crime, de acordo com o acusado, também foi lançada no rio e não foi achada. Ana Paula trabalhava em uma fábrica de sandálias, como despontadeira.

Leite é casado e tem três filhos. Um deles, de 1 ano e meio, é resultado do relacionamento amoroso extra-conjugal com Ana Paula. Segundo a polícia, esse relacionamento vinha de dois anos atrás, aproximadamente.

Além desse filho com seu algoz, a vítima é mãe também de uma outra criança de 3 anos. Em seu depoimento na delegacia, o acusado teria argumentado que vinha sofrendo muita pressão de Ana Paula para que deixasse sua mulher.

A “exigência” da vítima era para que ambos fossem morar juntos, conforme ele teria prometido a ela. Diante da cobrança, o acusado disse que “perdeu o controle” e a matou. Caso seja condenado, Leite poderá ficar preso por um prazo que varia de 12 a 30 anos de reclusão.