08 de julho de 2026
Política

CEI das compras anexa lista de Joel

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-diretor administrativo da Câmara Municipal, Luiz Renato Joel, protocolou ontem na Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras uma lista de nomes de pessoas que receberam cheques emitidos pelo Poder Legislativo a terceiros. Ele pediu dispensa do depoimento, o que foi acatado pela comissão.

O levantamento mostra que Osvaldo Paquito (PPS), relator da CEI das compras, e o filho do vereador José Humberto Santana (PV), Marcos Santana, receberam cheques nessa situação.

A lista também aponta que a prática era corriqueira entre diretores, assessores parlamentares, motoristas, mirins e outros funcionários da Casa. Joel quer provar que ele não foi o único a assinar o recebimento de cheques emitidos a terceiros.

A divulgação da lista provocou constrangimento entre os vereadores, já que Paquito é o relator da CEI das compras. O parlamentar, no entanto, afirma que recebeu o cheque somente depois de autorizado pelo prestador de serviço.

“No começo do mandato, uma empresa de um amigo fez um serviço de pintura na Câmara. Na época do recebimento, ele me ligou para saber se o cheque estava pronto. Fui no setor e fui informado de que o cheque estava pronto. Retornei a ligação e ele me incumbiu de pegar o cheque após autorizar o diretor financeiro a liberá-lo”, explica.

O vereador avalia que, mesmo sendo relator da CEI das compras, essa situação não o coloca sob suspeição. “Não houve nenhuma intenção maldosa nesse ato. Não ouve dolo. A pessoa que trabalha no setor me autorizou a receber o cheque”, argumenta.

Santana faz a mesma defesa em relação a seu filho. Segundo ele, Marcos recebeu o cheque a pedido de um amigo que prestou serviço à Câmara Municipal.

Foco

O presidente da CEI das compras, vereador Luiz Carlos Valle (PSB), reconhece que havia na Câmara o costume de servidores de receberem cheques emitidos a terceiros.

“Havia procedimentos que alguém pode questionar se eram adequados ou não. Na verdade, o foco da investigação é no sentido de ver se algum serviço foi pago e não foi realizado ou alguma mercadoria foi comprada e não foi entregue”, explica.

Valle diz que já está constatado que os funcionários do Legislativo eram adeptos dessa prática. “No meu modo de ver, não vejo nada de ilegal desde que, evidentemente, a empresa tenha recebido por algum serviço prestado ou por alguma mercadoria vendida”.