Arealva - Há cerca de um mês, moradores do distrito de Marilândia, em Arealva, perceberam que uma substância escura e malcheirosa começou a se acumular nas margens do rio Tietê.
Essa substância tem aumentado dia-a-dia e com isso está gerando desconforto entre os moradores, que são obrigados a conviver com um cheiro de algo em decomposição.
No distrito, existem dezenas de residências nas margens do rio, na maioria são ranchos para fins de semana. Muitos desses moradores deixaram de usar o local como uma válvula de escape para o cansaço físico e mental do cotidiano. Eles argumentam que, em vez de descansar, acabam ficando ainda mais irritados com o odor produzido pela estranha substância.
Estes ainda podem evitar a presença incômoda do mal cheiro que vem do rio. Entretanto, isso não é possível para aqueles que efetivamente residem no local. Neste caso, não há como fugir.
Esta estranha substância, que mais se assemelha a um “tapete†de lama verde-escuro de aproximadamente cinco centímetros de espessura, segundo estudiosos e ambientalistas, nada mais é do que algas em decomposição.
De acordo com o caseiro e morador de Marilândia, Dirceu Marinho Guedes, o acúmulo dessa substância começou a ser notado de três anos para cá, sempre na mesma época.
Mas há cerca de um mês, segundo ele, a situação começou a ficar complicada, na medida que o mal cheiro foi aumentando até chegar ao nível do “insuportávelâ€.
Guedes trabalha em vários ranchos nas margens do Tietê. Em seis anos de serviço, ele confessa que “nunca viu nada igualâ€.
Para Joaquim Rodrigues de Oliveira, que mora no distrito há dois meses, o odor sempre é mais forte quando o vento vem do rio.
A pior parte da história, segundo ele, é se alimentar sentido um cheiro tão desagradável. Mesmo com portas e janelas fechadas, o desconforto não cessa. “O cheiro diminui, mas não desapareceâ€, lamenta Oliveira.
Em época de pouca chuva e de temperaturas mais amenas, como no inverno, por exemplo, o “tapete†e o mal cheiro desaparecem.
Segundo Guedes, isso acontece porque os ventos são mais constantes no sentido terra-água, no inverno, e isso facilita a dispersão da substância para o meio do rio.
O oficial da reserva Miguel Ávila Martins, que durante 20 anos trabalhou na então Polícia Florestal - hoje Ambiental -, conta que, há alguns anos atrás, a margem do Tietê era um local ideal para pesca e natação.
“Antes eu pescava muito lambari e até mesmo tucunaré, um peixe difícil de ser encontrado nessa região. Agora, isso não é mais possívelâ€, disse, indignado.
Martins comprou o terreno, às margens do rio, em 1994, e só agora conseguiu terminar a construção do rancho.
“Que prazer eu tenho agora de passar os fins de semana aqui? É duro ter de agüentar esse cheiro o tempo todoâ€, desabafou o militar.
Desde 2000, ele paga taxa semestral à AES Tietê - empresa que assumiu o serviço da Cesp - pelo uso de 14 metros de margem do rio.
Sem poder usar esse espaço, em razão do “tapete†de algas podres que tomou conta do lugar, Martins cobra providência.
“Não sei de quem é a culpa por isso. Mas alguém precisa tomar uma providênciaâ€, reclama.
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Equilíbrio biológico
Para que o equilíbrio biológico de rios e mares esteja perfeito, é fundamental a presença das algas. Elas, purificam a água, auxiliam no processo de oxigenação, são transformadoras de substâncias minerais inorgânicas em compostos orgânicos.
Esses compostos, por sua vez, são transformados em alimentos naturais para várias espécies de peixes e crustáceos.
As algas são formadas por um talo que é originado por uma ou mais células. Não tem raiz, caule ou folhas.
Elas são formadas por dois tipos: benéficas e nocivas. As algas verdes filamentosas está entre as benéficas. Elas são mais comuns em rios de água doce.
As algas nocivas são prejudiciais quando em grande quantidade. Normalmente, aparecem quando há uma grande quantidade de acumulo de matéria orgânica em decomposição e iluminação excessiva (muito forte). (Fonte: www.aquariofilia.bio.br)