09 de julho de 2026
Regional

Decomposição vem da poluição do rio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Muitas espécies de algas vivem em água doce. Elas são muito comuns em lagos, represas e reservatórios. Ocasionalmente, esses ambientes recebem grande quantidade de sais minerais usados como adubo na agricultura e que são levados até os rios ou lagos pela água das chuvas.

Outras vezes, descarregam-se nesses ambientes lixo, esgoto doméstico e resíduos industriais. São materiais geralmente ricos em substâncias orgânicas. Essas substâncias são decompostas por microrganismos, que liberam sais minerais diversos na água.

Nessas condições, em razão da grande quantidade de sais minerais, certas algas superficiais podem se reproduzir intensamente, formando um “tapete” sobre a água.

Esse “tapete” de algas dificulta a penetração de luz na água, o que afeta a atividade fotossintetizante de algas submersas.

Assim, as algas submersas deixam de fazer fotossíntese e, portanto, deixam de liberar gás oxigênio. Isso provoca a morte de seres aeróbicos, como os peixes, por asfixia.

Além disso, as algas submersas morrem em grande quantidade e são decompostas. A decomposição libera na água substâncias tóxicas e malcheirosas, tornando-a imprópria para o consumo.

Esse fenômeno tem ocorrido em diferentes pontos do Brasil, como na represa Guarapiranga, na cidade de São Paulo, e na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.

Essas informações estão no livro ‘O Meio Ambiente’, de Carlos Barros e Wilson Paulino, lançado pela Editora Ática, em 1988. Portanto, o que vem ocorrendo às margens do rio Tietê, em Arealva, não é algo novo.

De acordo com o ambientalista Rodrigo Agostinho, do Instituto Ambiental Vidágua, esse processo vem ocorrendo na região de Bauru há cerca de dez anos.

Entre as cidades ribeirinhas mais atingidas estão Pederneiras, Iacanga e Arealva.

A única maneira de evitar a formação desse “tapete” de algas apodrecidas, segundo Agostinho, é tratar o esgoto da Capital e das cidades do Interior.

Em muitas cidades, o esgoto ainda é jogado “in natura” nos rios, facilitando assim a decomposição das algas.

A decomposição em massa das algas, normalmente, acontece em épocas de chuva e calor. Esse, segundo Agostinho, é o ambiente propício para a multiplicação e morte dessas plantas aquáticas.

É por essa razão que no inverno o “tapete” não é visto com tanta facilidade nas margens dos rios.