Além do perigo da contaminação por bactérias do próprio alimento em estado de decomposição, as pessoas que se alimentam de restos encontrados no lixo correm o risco de adquirir muitas outras doenças devido à proliferação de fungos e até mesmo vírus entre os detritos orgânicos.
O alerta é dos médicos Mário Hamada, gastroenteorologista e proctologista, e do infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa.
De acordo com Hamada, a principal conseqüência desse tipo de alimentação é diarréia e infecção intestinal. “Isso em casos imediatos. No entanto, há o perigo de se contaminar com outros tipos de bactérias, fungos e vírusâ€, esclarece.
O infectologista Marcelo Pesce explica que o contato dos alimentos com outros materiais jogados no lixo, ou mesmo com animais e insetos, como baratas, ratos, moscas, pode trazer conseqüências bem mais graves para as pessoas. “Há o risco de desenvolver uma hepatite, uma febre tifóide ou ser acometido de outros problemas, como salmoneloses, por exemploâ€, destaca.
Questionados sobre o porquê de muitas pessoas que comem alimentos do lixo dizerem que não passam mal, os médicos afirmam que o que pode ter ocorrido é uma seleção natural. “Isso significa que os indivíduos mais resistentes a esse tipo de contaminação permanecem; os que não suportam a contaminação ficam doentes e acabam morrendoâ€, diz Pesce.
Hamada concorda com ele, dizendo que essas pessoas acabam desenvolvendo uma resistência maior em seu organismo, o que ajuda a controlar a contaminação por bactérias, vírus e fungos. “O que não quer dizer que esses alimentos tragam algum benefício para a saúde dessas pessoasâ€, ressalta Hamada.