Um dos mais graves e freqüentes distúrbios do sono é a apnéia. Trata-se de uma interrupção involuntária da respiração que ocorre enquanto as pessoas dormem e dura entre 10 e 20 segundos. É natural que o ser humano tenha entre sete e 20 destas paradas momentâneas por noite. Porém, quando esta freqüência é maior que cinco apnéias por hora ou maior que 30 por noite, existe um distúrbio.
De acordo com o neurologista Alberto Luiz Moura dos Santos, a apnéia patológica atinge 24% dos homens com mais de 30 anos. Entre as mulheres, o índice é o mesmo, mas a partir da menopausa. A apnéia responde por 70% dos distúrbios do sono.
O médico explica que a parada respiratória acontece quando o ar encontra dificuldade parcial ou total para passar pela garganta. Geralmente, isso ocorre porque a musculatura do pescoço está muito flácida ou porque há acúmulo de gordura nesta região, causando estreitamento da laringe .
“Os hormônios femininos fortalecem essa musculatura. Além disso, as mulheres não têm tendência a acumular gordura no pescoço, ao contrário dos homens. Por isso elas estão mais protegidas contra a apnéia enquanto tiverem a produção hormonal regularâ€, comenta.
Um dos principais sinais de alerta para um possível quadro de apnéia patológica é o ronco. Ele acontece quando o ar encontra resistência para passar pela musculatura flácida da garganta. A dificuldade faz vibrar algumas estruturas, produzindo o som.
É importante salientar que nem todo ronco significa parada respiratória. Ele pode ser resultado de um desvio de septo, de alteração das amígdalas ou de adenóide. Nestes casos, cirurgias corretivas acabam com o problema. Porém, toda pessoa que sofre de apnéia produz o incômodo barulho. Então, quem ronca deve procurar um médico para fazer um diagnóstico correto.
Cada vez que a pessoa tem uma apnéia, todos os órgãos e tecidos ficam alguns segundos sem receber oxigênio - substância fundamental para o funcionamento do corpo. Quando o indivíduo pára de respirar, o cérebro envia uma mensagem de que é necessário acordar para enrijecer a musculatura e liberar a passagem do ar.
Na maioria das vezes, a pessoa tem microdespertares, como acontece quando se muda de posição ou se ajeita o cobertor, ou seja, ela acorda, mas não desperta. No dia seguinte, não se lembra que acordou todas aquelas vezes.
Quando a freqüência de apnéias é muito grande, a pessoa passa por dezenas de microdespertares numa noite e não atinge os estágios mais profundos do sono. Desta forma, ela não descansa adequadamente e, sem entender porquê, vai sentir-se cansada e sonolenta por todo o dia.
Contudo, a conseqüência mais grave da apnéia patológica é a má oxigenação do organismo. Cada vez que há uma parada respiratória, o coração acelera e a respiração aumenta para recuperar os níveis normais de oxigênio.
Com o tempo, esses episódios freqüentes desgastam todo o organismo e podem levar a complicações irreversíveis. Entre elas, Santos cita as insuficiências cardíaca e respiratória, arritmias cardíacas, hipertensão arterial, hipertensão pulmonar, derrames e problemas neurológicos, que podem matar.
“A apnéia é menos freqüente em crianças, porém, é mais grave, porque coincide com a fase do desenvolvimento. Paradas respiratórias contínuas com queda da oxigenação, podem comprometer seriamente o desenvolvimento motor e mental das crianças. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamentalâ€, destaca.
Segundo ele, as causas mais comuns de apnéia infantil são as amigdalites e adenóides. Ele afirma que, nos Estados Unidos, cerca de 80% das indicações de retirada das amígdalas são para tratar a apnéia do sono.