09 de julho de 2026
Saúde

Sono é essencial para reorganização

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Embora a ciência não tenha desvendado completamente os mistérios do sono, já está comprovado que ele é essencial para a reorganização do corpo e da mente após algumas horas de estado ativo. Ao contrário do que parece, o sono não é um estado de monotonia. Enquanto a pessoa dorme, o organismo realiza inúmeras atividades que parecem ser indispensáveis à sobrevivência.

Comparando o organismo a um computador, o neurologista Alberto Luiz Moura dos Santos afirma que uma noite bem dormida equivale a dar um “boot”, desfragmentar e passar o “scandisk” no organismo. Para a máquina, esses procedimentos significam uma limpeza e reordenação dos arquivos, com eliminação dos “bytes defeituosos”.

“Graças aos exames mais aprofundados, descobriu-se que existem coisas no organismo que só ocorrem durante o sono. A produção de algumas enzimas e hormônios, a mudança de temperatura interna e a reorganização mental são alguns exemplos”, observa o especialista.

O hormônio do crescimento é um destes casos. Ele só é produzido durante o sono. “Um estudo recente mostra que quando a criança não passa por todos os ciclos do sono, ela altera a produção deste hormônio e tem desvios de desenvolvimento. No adulto, este hormônio é responsável pela tonicidade da musculatura e a falta dele causa flacidez e favorece o ganho de peso”, comenta o dentista Walter da Silva Júnior.

Enquanto dorme, a pessoa atravessa cinco fases de sono. Elas se repetem sucessivamente durante toda a noite. Em média, são cinco ciclos de 90 minutos cada.

No estágio 1, a pessoa ainda está em vigília. Poucos segundos depois, ela avança para o estágio 2 e, em 20 minutos, já está no estágio 4. Estas são as fases de sono mais profundo. Por isso é tão difícil acordar alguém que adormeceu há pouco.

Uma hora e meia depois de ter adormecido, o indivíduo entra num período curto de sono REM (Rapid Eyes Moviment). Trata-se do mais surpreendente estágio de sono, é mais leve e o indivíduo está totalmente relaxado. Neste período, os olhos se movimentam muito rapidamente - algumas vezes fechados, outras vezes semiabertos. É o período dos sonhos.

No primeiro ciclo, o sono REM dura poucos minutos e a pessoa volta à fase 1. A cada 90 minutos, aproximadamente, acontece um novo sono REM, cada vez mais longo. Pela manhã, os estágios 3 e 4 desaparecem e os períodos de sono REM podem durar até uma hora.

Além da produção de hormônios e enzimas, o cérebro também reordena tudo o que assimilou e vivenciou naquele dia durante estes ciclos de sono. Neste período, ele vai “arquivar” as informações importantes nos lugares certos e “deletar” o que for superficial ou danoso ao organismo.

Segundo especialistas, pessoas que têm um sono calmo, tranqüilo e saudável dificilmente se lembram dos sonhos no dia seguinte. Para lembrar deles, é preciso que a pessoa desperte durante a fase REM e isso significa ter um sono fragmentado, o que não é bom para o organismo.

“Uma experiência realizada com ratos mostrou que sem o sono REM, o ser vivo morre. Eles criaram dois grupos de ratos com a mesma alimentação e mesmo tempo de sono. Mas com um dos grupos, toda vez em que os ratos entravam no sono REM, eles eram acordados. Estes ratos morreram em 30 dias”, conta Santos.

Tempo

Questionado sobre a duração do sono, o neurologista afirma que não existe um tempo certo. A necessidade de sono é individual. Em média, os adultos precisam de seis a nove horas de sono, mas há pessoas que se satisfazem com cinco horas e outras que precisam de dez horas.

“O que importa é que a pessoa durma pelo tempo suficiente para aquele organismo e isso pode ser avaliado durante o dia. Quem dorme bem, não sente sono durante o dia”, explica.

Ele cita um trabalho realizado nos Estados Unidos em que uma escola dividiu os alunos em dois grupos. O primeiro entrava às 7h e o segundo às 10h. “O segundo grupo apresentou notas muito superiores às do primeiro. Considerando que os adolescentes dormem muito tarde e que precisam de mais horas de sono, concluiu-se que eles estavam sendo privados de sono ao levantar cedo”, observa.

Todas estas pesquisas indicam que o ser humano ainda tem muito a aprender sobre o papel do sono na sobrevivência, mas eles já comprovam que ele precisa ser mais valorizado para uma vida saudável.