07 de julho de 2026
Saúde

Insônia é doença e sintoma

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A dificuldade para dormir pode ser uma doença ou um sintoma de outro problema. De acordo com o neurologista Alberto Luiz Moura dos Santos, pesquisas internacionais mostram que 38% das pessoas têm insônia em algum momento da vida. Deste total, 29% são episódios de curta duração e apenas 9% são casos de distúrbio crônico.

A insônia crônica é aquela em que a pessoa não consegue dormir mesmo fazendo uso de todos os truques conhecidos: exercícios de relaxamento, ouvir música calmante, tomar chá ou leite morno. “Não existe comprovação científica, mas suspeita-se de que seja uma característica genética, pois existe uma evidente tendência familiar”, ressalta.

Para estes casos, o médico recomenda mudanças de hábito, como disciplinar os horários de acordar e dormir, evitar a ingestão de substâncias estimulantes (cigarro, álcool, cafeína). Geralmente, o problema precisa ser controlado com medicamentos.

Na maioria das vezes, porém, a insônia é um sintoma de outra alteração, quase sempre um momento de crise, preocupação ou ansiedade. “A pessoa fica sem dormir porque brigou com o namorado, porque vai prestar o vestibular ou vai fazer uma entrevista de emprego. O sono volta ao normal tão logo o problema é resolvido”, exemplifica.

Santos comenta que também existem casos de insônia aprendida. Um exemplo freqüente é a mulher que passa meses acordando a cada três horas para amamentar um filho e, mesmo depois que a criança cresce, continua acordando naquele intervalo. “Quando isso acontece, temos que usar alguns truques de recondicionamento”, afirma.

Ele também cita o caso de famílias que procuram o médico alegando que a criança não consegue dormir. “Em 90% das situações, a criança chega pulando, brincando, mexendo em tudo, absolutamente elétrica e quem tem olheiras são os pais. Então, o problema de sono é deles e não da criança”, comenta.

Segundo ele, isso quase sempre é fruto de maus hábitos. Ele ressalta que toda criança tem um padrão de acordar a cada três ou quatro horas nos primeiros anos de vida. Se os pais acostumam o bebê a pegar no sono no colo, sempre que acordar ele vai chorar pedindo colo.

“O correto é não deixar que a criança durma enquanto está mamando. Ela deve ser mantida acordada quando no colo. Depois, os pais devem colocá-la no berço para que adormeça sozinha. Se ela for acostumada assim, ela acorda a cada três ou quatro horas, mas adormece novamente. Se foi condicionada a adormecer no colo, ela vai chorar até ser pega”, destaca.

Segundo ele, depois do hábito instalado, há duas maneiras de reverter a situação. Uma delas é deixar a criança chorando até perceber que não terá mais o colo para dormir. “Mas a maioria das mães fica com dó e acaba pegando no colo. Neste caso, elas só vão reverter a situação quando a criança fizer três ou quatro anos, quando desaparece o padrão de acordar a cada três horas”, completa.

Santos salienta, ainda, que dormir pouco não é sinônimo de distúrbio. Insônia é dormir menos do que se precisa. Segundo ele, algumas pessoas têm uma necessidade menor de sono, mas passam o dia bem. Considera-se que existe alteração quando o indivíduo não consegue dormir e isso afeta seu desempenho no dia-a-dia.